Rosie, a Rebitadeira, personagem do famoso cartaz “We Can Do It!”, estaria fula da vida diante do discurso de Paulo Figueiredo, representante da extrema direita. O neto do ex-ditador Figueiredo falou: “Mulher vota muito mal, principalmente mulheres solteiras, mulheres casadas tendem a votar junto com os maridos, isso que eu estou dizendo, podem arrancar os pentelhos da calcinha”. A misoginia é uma das características da extrema direita mundial, haja vista a briga de Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, onde o candidato à presidência da República tenta desqualificar, xingar e desaprovar a esposa de seu pai. Rosie era o símbolo da mulher forte, de macacão, mostrando o muque, que vira o símbolo da mulher americana que na Segunda Guerra Mundial foi trabalhar nas fábricas para produzir armas, enquanto os homens lutavam na guerra.
Rosie poderia até imitar o gesto de Mike Tyson, que tatuou num braço Mao Tsé-Tung e no outro Malcolm X. O empoderamento feminino, necessário, é uma luta que acaba com séculos de opressão masculina. O direito ao voto é apenas uma das camadas dessa luta. Como sempre, o Brasil tem uma marca de conservadorismo que nos envergonha perante o mundo. Enquanto a Nova Zelândia foi o primeiro país a garantir o sufrágio em 1893, os Estados Unidos formaram a 19ª Emenda com direitos em 1920 e o Brasil em 1932. A personagem Mary Wollstonecraft, escritora, filósofa e defensora dos direitos da mulher inglesa, lançou em 1832 a obra “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”, que defendia o reconhecimento da capacidade intelectual das mulheres, o acesso igualitário à educação e sua plena participação na vida política.
Até a luta feminina entra pelos arquétipos, mitos e lendas construídos pelos homens em torno da mulher, através de personagens como Afrodite, Cinderela, Joana D’Arc, Simone de Beauvoir, entre outras. Por isso, a luta é constante. Não há um momento de paz. A luta pelo voto feminino começa pela interpretação de texto, dificuldade para alguns homens. A Proclamação da República, em 1889, define que eleitores são “os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei”. O precedente do uso da palavra “cidadãos” abriu espaço para que as mulheres pudessem votar nas eleições durante a Primeira República. A luta ganha força com a entrada de Bertha Lutz, em 1918. Ela era representante da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e promoveu o I Congresso Internacional Feminista no Rio de Janeiro, em 1922.
Bolsonaristas esquecem que as mulheres modernas são muito mais preparadas para esse mundo machista, tendem a proteger suas amigas, leem mais e, o mais importante, representam 52% do eleitorado no Brasil. Qual a definição de votar mal? Votar foi inventado na eleição para defender a democracia. Não tem raça, credo, gênero ou qualquer outra particularidade. Por isso, os ditadores não precisam de eleições. Por isso, essa pauta pertence a parentes de ditadores e à extrema direita. Então, votar “bem” é votar pela democracia; votar “mal” é votar contra ela. Homens e mulheres votaram para a eleição de Hitler na Alemanha e, ao mesmo tempo, homens e mulheres votaram nas eleições em Cuba, na China e na URSS. O voto fala sobre uma sociedade bem constituída e certa de que a democracia, mesmo com seus riscos, é a melhor opção para a maioria da população.
Declarações misóginas nos dias atuais merecem o escárnio da sociedade, principalmente daquelas mulheres que discordam da opinião de Paulo Figueiredo e até daquelas que apoiam Bolsonaro. Não podemos esquecer que no pleito de 2014 foi eleita Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher no Brasil, o maior cargo que antes era exclusivo aos homens. O neoliberalismo conquistou o direito de pôr rótulos que bem entender nos seus bíceps. Mas quem chama a volta do capitalismo do século 19 de moderno perde o privilégio de falar.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão