A dobradinha Temer-Cunha funcionou até a primeira semana de dezembro de 2015.
Cunha arrecadava dinheiro para o partido do jeito que estava acostumado e Temer assinava os cheques destinados aos candidatos do partido indicados por Cunha, com o que ele formou sua própria bancada na Câmara dos Deputados.
Em dezembro passado – de acordo com relato publicado na Veja dessa semana – Cunha teria comunicado ao então vice-presidente da República o fechamento de um acordo com o ministro-chefe da Casa Civil de Dilma, Jaques Wagner: ele orientaria a bancada do PT a livrá-lo de julgamento no conselho de ética e Cunha arquivaria o processo de impeachment de Dilma.
No dia seguinte o acordo secreto saiu nos jornais e Rui Falcão mandou os deputados do PT votarem contra Cunha.
E Cunha reagiu anunciando abertura do impeachment, achando que fora traído por Wagner.
Mais tarde Cunha descobriu que os responsáveis pelo vazamento tinham sido pessoas próximas a Temer.
Ou seja: Temer tratou de implodir o acordo de Cunha para ser favorecido com a queda da presidente.
E com esse movimento deflagrou o impeachment, o processo contra Cunha e sua consequente cassação e, finalmente, a sua prisão.
Por trair Dilma, Temer não sofreu represálias. Mas trair Cunha são outros quinhentos.
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