Opinião

Gilmar Mendes acerta ao acusar Fux de reeditar AI-5

“Não há como não dar razão a Gilmar Mendes. Concordo com ele porque, primeiro, a liminar foi concedida em resposta a uma solicitação do filho do Bolsonaro, portanto um pedido da extrema-direita, interessada em colocar fogo no circo. Segundo, porque eu sempre estou do lado de quem combate o messianismo delirante dos procuradores da Lava…

"Não há como não dar razão a Gilmar Mendes. Concordo com ele porque, primeiro, a liminar foi concedida em resposta a uma solicitação do filho do Bolsonaro, portanto um pedido da extrema-direita, interessada em colocar fogo no circo. Segundo, porque eu sempre estou do lado de quem combate o messianismo delirante dos procuradores da Lava Jato. Terceiro, porque não há como não suspeitar que a decisão absurda de Fux tem a ver com uma das emendas do projeto que pune com rigor abusos de autoridade do Judiciário. E quarto porque repudio qualquer tentativa de volta do AI-5", afirma Alex Solnik
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Devo confessar que, desde que o ministro Gilmar Mendes trocou os tradicionais óculos de aros grossos por outros de aros finos comecei a simpatizar mais com ele.

Devo também confessar que ele é uma dádiva para nós, jornalistas, porque suas declarações são sempre bombásticas, seu lugar é sempre a manchete.

Ele não alivia com ninguém.

Na semana passada pediu o impeachment do seu colega Marco Aurélio Mello por ter afastado Renan Calheiros da presidência do Senado através de uma liminar monocrática e baseada na premissa do resultado de um julgamento que não tinha terminado.

Mendes recebeu na cabeça uma chuva de pedras, foi acusado de favorecer o governo Temer, interessado em manter Renan para eliminar o stress de uma votação da PEC 55 comandada por seu substituto, Jorge Viana, do PT.

Até mesmo seus pares o cobriram de elogios na sessão seguinte ao seu ataque a Melo. Mas não tiveram a coragem de dar o nome ao boi, fato que não pode ser debitado em qualquer manifestação de Mendes.

Embora tenham dado o puxão de orelhas, os ministros adotaram a posição de Mendes, cassando a liminar porque o assunto não demandava pressa.

Sem se intimidar com a reprimenda coletiva ele agora investe contra o colega Luiz Fux, que mandou a lei anticorrupção de volta à Câmara Federal subindo o tom de suas críticas.

Ele classificou a decisão de “AI-5 do Judiciário”. E ainda arrematou com uma frase de fina ironia:

“Fux deveria entregar as chaves do Congresso à Lava Jato”.

Não há como não dar razão a Gilmar Mendes. Concordo com ele porque, primeiro, a liminar foi concedida em resposta a uma solicitação do filho do Bolsonaro, portanto um pedido da extrema-direita, interessada em colocar fogo no circo.

Segundo, porque eu sempre estou do lado de quem combate o messianismo delirante dos procuradores da Lava Jato.

Terceiro, porque não há como não suspeitar que a decisão absurda de Fux tem a ver com uma das emendas do projeto que pune com rigor abusos de autoridade do Judiciário.

E quarto porque repudio qualquer tentativa de volta do AI-5.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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