Ao nomear ministros, Temer nunca se pergunta quem é melhor para o nosso país; pergunta quem é melhor para o seu grupo político.
A escolha de Aloysio Nunes Ferreira não foi diferente.
Teve peso na decisão o fato de a nomeação garantir a ascensão do quercista histórico Ayrton Sandoval, suplente de Nunes. Temer resolveu acenar para o grupo daquele com quem disputava a liderança do partido e fazer uma homenagem ao próprio Quércia que, ao sair da campanha, doente, repassou literalmente seus votos a Nunes, que não venceria em 2010 sem esse macete.
Pode ser catastrófico para o Itamaraty, o país vai passar vergonha lá fora. Mas Temer manteve-se fiel ao perfil adotado até aqui. Ministro tem que ter duas qualidades: ser linha de frente do golpe e ter ao menos um processo na Lava Jato. Vocação para a coisa são outros quinhentos.
Outra característica da qual Temer não abre mão: ministro tem que ser o mais reacionário possível.
E nada mais reacionário que um ex-comunista – como já dizia o insuspeito Sérgio Buarque de Hollanda. Aliás, exemplos não faltam.
Com Aloysio a imagem do Brasil vai ficar parecida com a cara dele: cara de pitbull.
Em vez de punhos de renda, Temer optou por luvas de boxe.
Nunes tende a ser contemplado com vaias em suas visitas mundo afora, ocasiões em que poderá matar saudades dos debates no Senado acerca do impeachment, onde, certa vez declarou:
“Quero ver a Dilma sangrar”!
Mas, enfim, essa é a cara desse governo e nada mais coerente do que mostrar para fora a mesma imagem que se tem para dentro.
Se Alexandre de Moraes pode ser ministro do STF porque Aloysio não pode ser chanceler?
Ele é só mais um pitbull no governo.
Com base no seu retrospecto, dá para dizer que, com o novo ministro dificilmente o Brasil vai ganhar algum novo amigo, mas, com certeza poderá aumentar a lista de desafetos.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão