Essa história da carne fraca está apenas começando.
Ainda tem muito segredo para revelar.
O que se sabe até agora é que 33 fiscais do Ministério da Agricultura do Paraná, nomeados por deputados federais concediam o selo de qualidade aos frigoríficos em troca de propina que dividiam com seus padrinhos.
Sem fiscalizar porcaria nenhuma.
O que se sabe até agora é que o chefe dos fiscais corruptos, Daniel Gonçalves Filho, foi flagrado em grampo da PF em conversa com o atual ministro da Justiça e então deputado federal Osmar Serraglio, eleito em campanha financiada pelo agronegócio, que o chamou de “grande chefe” e pediu para verificar o que havia em relação a um frigorífico chamado Larissa – agora denunciado pela PF.
Hoje, a coluna do jornalista Josias de Souza relata episódio em que Serraglio defendeu enfaticamente a permanência do apadrinhado quando a então ministra da Agricultura Kátia Abreu, ainda no governo Dilma, quis demiti-lo.
Apesar da discordância de Serraglio, que não mudou de posição nem mesmo depois de ler o relatório em que o sujeito era acusado de proteger um colega que praticava ilícitos, Kátia o mandou embora.
Mas ele voltou com o ministro de Temer, Blairo Maggi, provavelmente com o apoio de Serraglio.
Algumas perguntas insistem em não se calar.
Por que Serraglio defendeu com unhas e dentes a manutenção do “grande chefe” no ministério e apoiou a sua recondução?
Serraglio sabia que o “grande chefe” mandava liberar carne estragada?
Se os fiscais recebiam propina dos frigoríficos e a repassavam aos políticos que os indicaram, Serraglio recebeu propina do “grande chefe”?
Convém manter no Ministério da Justiça alguém que protegeu o chefe dos fiscais corruptos que liberavam carne estragada para a população brasileira e mundial?
E – last but not least – por que a PF não investiga de que “carne” são feitos os hamburgers do McDonald’s?
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