A Rua Amauri fica pertinho do escritório de Temer em São Paulo.
Ele a conhece bem.
Em seus não mais de cinquenta metros de comprimento disputavam espaço, corpo a corpo, parede a parede, alguns dos mais luxuosos restaurantes da cidade.
Fachadas magníficas!
Das limusines e dos carros blindados saltavam celebridades do dinheiro e da ribalta, esportistas, lobistas e doleiros.
Publicitários premiados em Cannes, industriais do ano, advogados, ex-ministros, marqueteiros faziam deles extensão do escritório.
Estrelas da TV dividiam mesas com empresários, decoradores e arquitetos.
Se Temer desse um rolê na rua Amauri hoje veria não mais aquelas casas de antepasto frequentadas por ricos e famosos, dirigidas por chefs importados da França e da Itália, mas espaços vazios com a placa aluga-se.
Uma atrás da outra.
Temer deveria dar uma volta pela Rua Amauri para constatar que o seu ministro da Fazenda o está iludindo com esse papo de que o país saiu da crise.
Nenhum país sai da crise quando o governo anuncia corte de investimentos por 20 anos, e seu único plano de salvação nacional é diminuir salários e aposentadorias.
São sinais de continuidade da recessão, não de retomada de crescimento.
Até um leigo sabe que, quanto menos investimento, quanto menores são os salários e quanto menores são as aposentadorias menos dinheiro vai circular na economia, o comércio vai vender menos e comprar menos das indústrias, e com isso o governo também vai arrecadar menos impostos.
Esse é o beco sem saída no qual estamos.
Mas podem chamá-lo de Rua Amauri.
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