Opinião

Um New Deal como alternativa à austeridade

A austeridade fiscal continua sendo defendida como caminho único e política capaz de restaurar a confiança do mercado e assim reencaminhar o país da recessão na qual está mergulhado

Presidente Michel Temer 26/09/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
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Escrevi e o 247 publicou recentemente um artigo que batizei de “Um pouco mais de Keynes, por favor”.

No artigo defendi que, segundo Keynes, o fundamental para se compreender uma economia e orientar os esforços para o desenvolvimento é observar os níveis de consumo e investimento do governo, das empresas e das pessoas, partindo desse princípio, a doutrina keynesiana aponta que no momento em que as empresas tendem a investir menos, inicia-se todo um processo de retração econômica que abre portas para o estabelecimento de uma crise, assim, para que essa situação fosse evitada, ele defende a necessidade do Estado em buscar formas para se conter o desequilíbrio da economia.

Entre outras medidas propostas por Keynes está a de que os governos deveriam aplicar grandes remessas de capital na realização de investimentos que aquecessem a economia de modo geral, exatamente o que o governo golpista não faz e não pretende fazer e para ele é nos momentos de retração de economia que os governos devem passar a conceder linhas de crédito ao baixo custo, garantido a realização de investimentos do setor privado.

Somente promovendo tais medidas de incentivo, os níveis de emprego aumentariam e consequentemente garantiriam que o mercado consumidor dando sustentação real a toda essa aplicação de recursos.

O pensamento de Keynes transformou radicalmente o papel do Estado frente à economia, colocando em total descrédito as velhas perspectivas do “laissez faire” liberal.

Mas no Brasil dos golpistas vassalos ocorre o oposto. A austeridade fiscal continua sendo defendida como caminho único e política capaz de restaurar a confiança do mercado e assim reencaminhar o país da recessão na qual está mergulhado. A estratégia de corte de gastos públicos é uma estultice, é necessário fazer caminho inverso é preciso agir no sentido oposto, isto é, ampliando as despesas do setor governamental, preferencialmente em um movimento coordenado entre as principais economias do mundo.

Aliás, essa é a orientação do relatório anual que a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que afirma que a austeridade fiscal, “proclamada como quintessência da virtude macroeconômica, apenas fez agravar o quadro de incerteza e de anemia da demanda agregada, deprimindo o nível de atividade, agravando o desemprego, degradando as condições de vida da população e debilitando ainda mais a capacidade de financiamento do setor público”.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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