Celebrado pelo Governo e por setores da imprensa, o saldo positivo da balança comercial brasileira, divulgado nesta terça-feira (02), e considerado o maior desde 1989, esconde dados que precisam ser olhados com cautela.
Em primeiro lugar, o valor nominal das exportações não é recorde, mas sim a diferença entre exportações e importações. Para se ter como exemplo, o volume de exportações de 2017 é 16% menor que o de 2011.
Outro dado importante é a queda das importações – resultado direto da queda no consumo das famílias e do desemprego – e das exportações de produtos manufaturados, muitos produzidos com tecnologia nacional.
A compra de máquinas industriais caiu quase 12%, ampliando o cenário de desindustrialização do país, também puxado pra baixo pela afunilamento dos recursos para pesquisa e inovação.
Subiu, no entanto, a venda de produtos de base (as famosas commodities) e dos semimanufaturados, sendo que o aumento dos valores de mercado do ferro e petróleo ajudaram no resultado.
Voltamos ao pacto colonial, onde nossa balança comercial sempre foi positiva, mas com resultados que servem apenas de maquiagem para esconder nossa política subalterna.
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