O ministro Raul Jungman vai para o novo Ministério da Segurança Pública e um general assume em seu lugar o Ministério da Defesa que sempre foi ocupado por civis desde a redemocratização de 1985.
Nesse período até um comunista como Aldo Rebelo foi ministro da Defesa. E não houve conflitos com os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica – todos militares, é claro – que se subordinam a essa pasta.
O cargo de ministro, seja qual for o ministério, é essencialmente de caráter político e a política deve ser seara exclusiva de civis, ao menos no regime democrático.
A razão é óbvia: políticos debatem, militares dão ordens. E quando entram na cena política tendem a transformar a nação num quartel.
A constituição brasileira determina que o chefe supremo das forças armadas não é militar, mas um civil, o presidente da República.
Temer, no entanto, entrega aos militares importantes posições políticas, como a de interventor no Rio de Janeiro em ano de eleições e agora agrega mais um general ao seu ministério de homens brancos de ternos pretos.
O interventor do Rio já nomeou um general para a Secretaria de Segurança Pública e criou o Gabinete de Intervenção, no qual colocou outro general.
Dá impressão que, percebendo que perde força no Poder Judiciário, que o coloca contra as cordas, ele se alia aos militares na esperança de que garantam sua permanência no cargo.
É um movimento de alto risco para a democracia.
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