Opinião

Primo Levi comenta o depoimento de Palocci

Agora, todo o mundo está raspando com a colher o fundo da gamela para aproveitar as últimas partículas de sopa; daí, uma barulheira metálica indicando que o dia acabou. Pouco a pouco faz-se silêncio

Primo Levi comenta o depoimento de Palocci
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Na coluna de Monica Bergamo de hoje, somos assaltados por esta notícia:

“Dilma deve ser alvo preferencial dos depoimentos inéditos da delação de Palocci. Até agora, o foco dos relatos do ex-ministro da Fazenda estava voltado para Lula”.

A gente lê e lembra de imediato Primo Levi, que assim comenta a sujeira de Antonio Palocci:

“É isto um homem?

Agora, todo o mundo está raspando com a colher o fundo da gamela para aproveitar as últimas partículas de sopa; daí, uma barulheira metálica indicando que o dia acabou. Pouco a pouco faz-se silêncio. Do meu beliche, no terceiro andar, vejo e ouço o velho rezando em voz alta, com o boné na mão, meneando o busto violentamente. Ele agradece a Deus porque não foi escolhido. Insensato! Não vê, na cama ao lado, Beppo, o grego, que tem 20 anos e depois de amanhã irá para o gás e bem sabe disso, e fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem falar, sem pensar? Não sabe, o velho, que da próxima vez será a sua vez? Não compreende que aconteceu, hoje, uma abominação que nenhuma reza propiciatória, nenhum perdão, nenhuma expiação, nada que possa fazer, chegará nunca a reparar?”

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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