Por Ricardo Kotscho, para Os Divergentes e para os Jornalistas pela Democracia – Mais do que temores em relação ao futuro de reformas como a da Previdência, a motivação do telefonema de Jair Bolsonaro a Renan Calheiros ontem à noite — uma espécie de rendição à constatação de que o senador tem fortes chances de ser o presidente do Senado — materializou-se nesta manhã: a decisão já prevista do ministro do STF Marco Aurélio de remeter de volta à primeira instância as investigações do Caso Coaf e desconhecer o pedido de Flávio Bolsonaro para ter foro especial e anular as provas colhidas até hoje.
As investigações vão continuar sendo conduzidas pelo MP do Rio e o senador Flávio Bolsonaro continua no alvo, embora não seja ainda oficialmente investigado. O que isso quer dizer? Que ele vai precisar muito do Senado e de seu novo presidente, e não pode correr o risco de se indispor com Renan, nem em caso de vitória nem de derrota.
Eleito, o senador alagoano, que espertamente lançou uma boia a Flávio há poucos dias minimizando as acusações contra ele, terá nas mãos o poder de deflagrar ou barrar ações internas de investigação nas instâncias do Senado e até estimular a criação de uma CPI do Caso Coaf, se assim quiser. Mesmo derrotado, terá poder de fogo para atrapalhar muito a vida de Flávio na nova casa.
Ao que parece, Bolsonaro raciocinou politicamente e concluiu que é melhor ficar junto com Renan do que contra Renan — com todas as consequências que isso terá para seu governo.
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