Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia – Sergio Moro vai ao Roda Viva, no dia 20, como fartamente alardeado. Resta saber, porém, que Moro vai ao programa de estreia de Vera Magalhães, jornalista inegavelmente competente, mas conservadora. Solidamente conservadora. Estão aí várias participações dela no próprio Roda Viva, que passa a ancorar, em que abordou de forma incisiva candidatos progressistas, sendo mais suave com outros, mais à direita, na mesma bancada.
Daniela Lima, que deixa o posto, tocava com diversidade e leveza o programa, sem buscar de forma ostensiva afinação com João Doria, o patrão, em última instância. Em época de eleições vindouras, é previsível que busquem uma profissional capaz de segurar com pulso firme e encaminhar ao gosto da direção, o diálogo entre jornalistas e convidados que por aquela cadeira passarem.
Vai daí que basta ler os nomes dos participantes do programa de estreia de Vera Magalhães, para perceber que o jogo mudou. E sem esta, de choro e esperneio para “infiltrar” na bancada o nome de alguém do The Intercept. É bem possível que o entrevistado pensasse até mesmo em cancelar a entrevista. E nem Vera, nem Doria, gostariam de passar por isto. Afinal, o governador paulista chegou a acenar dar-lhe abrigo, quando Sergio Moro ficou às vias do relento, naquele agosto aziago, em que não estava mais juiz, e corria o risco de não estar ministro.
Daí é interessante se especular, a qual dos personagens Vera fez o convite. Ao ex-aliado e quase secretário de João Doria, ao ministro, ou ao presidenciável, que pode, de alguma maneira, se ligar ao dono da casa e se contentar, por exemplo, com a condição de vice?
Se o The Intercept participasse da bancada, estaria ali o juiz de Curitiba, que transgrediu de suas funções, interferiu em processos e, em última instância, tornou-se parte, quando deveria ser apenas juiz. E, então, os espectadores teriam diante de si o “Marreco de Maringá”, esganiçado, desafinando, desconfortável dentro do terno, e dando respostas de mídia training.
Estando ali o ministro, teremos um programa morno, chapa branca, com um Moro articulando frases institucionais, protocolares, em defesa do presidente, a quem, desde agosto, jurou servir. Ou ao projeto Anticrime, que ele não pode nem mais sequer chamar de seu, porque vai nascer com a careca do Alexandre de Morais, e mais a cara dos congressistas, para sua total decepção.
Mas o que vai dar colorido ao show, quer dizer, ao programa, será a entrada em cena do candidato, o presidenciável. Difícil entender como João Doria, que tem feito tudo para sair com o nome no alto da chapa tucana, como presidente, permitiu ceder esse espaço para o candidatíssimo Sergio Moro. Ou ele pensa que Moro pode ir tão mal, que queime a largada e tope ser o seu vice, ou está descrente da sua própria capacidade de convencer o partido a apoiá-lo como candidato cabeça de chapa. E, neste caso, será ele, Doria, o candidato. A vice.
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