Opinião

Silêncio de Weintraub é consentimento aos ataques dele contra o STF

“Depois de chamar de ‘vagabundos’ e defender a prisão de ministros do STF, Abraham Weintraub ficou em silêncio no depoimento à Polícia Federal. Não teve coragem de reiterar o que falou, nem de negar. O que mostra que ele ainda pensa da mesma maneira”, escreve o jornalista Aquiles Lins sobre o ministro da Educação

Abraham Weintraub na reunião ministerial de 22 de abril abril
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Por Aquiles Lins, para o Jornalistas pela Democracia 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, 29, no inquérito da fake news, sobre as declarações que fez na reunião ministerial de 22 de abril, quando atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal. “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, declarou o ministro na ocasião.

Quade 40 dias depois, diante de agentes da Polícia Federal que foram até o Ministério da Educação, Weintraub não demonstrou o mesmo ímpeto de agressor da democracia. Não respondeu às perguntas e preferiu recorrer ao estado de direito, dizendo que desejava fazer uso do direito constitucional de permanecer calado

O ministro Alexandre de Moraes, autor da decisão sobre o depoimento de Weintraub, viu em sua declaração indícios de prática de difamação, injúria e crime contra a segurança nacional.

O decano do STF, ministro Celso de Mello, na decisão que retirou o sigilo da gravação da reunião, disse ter constatado “aparente prática criminosa” de Weintraub. Segundo o ministro, a declaração “põe em evidência, além do seu destacado grau de incivilidade e de inaceitável grosseria, que tal afirmação configuraria possível delito contra a honra (como o crime de injúria)”.

Um ministro da Educação que pede prisão para ministro do Supremo Tribunal Federal é um golpista. Mas um golpista frouxo, que não teve coragem de reiterar em juízo o que falou, nem de negar. Depreende-se daí que seu pensamento continua o mesmo. 

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