Comentando os comícios de domingo, o Estadão disse o seguinte: “Oposição dividida esvazia protestos contra Bolsonaro”.
“Divididos, protestos contra Bolsonaro são esvaziados”, escreveu a Folha, na manchete.
A verdade é que, neste momento, a disputa política real do país está concentrada em duas personalidades e dois projetos que ficaram longe dos comícios — Lula e Bolsonaro.
Aqui, a polarização entre Lula e Bolsonaro tem concentrado as atenções da imensa maioria dos brasileiros e brasileiras, com uma vantagem acentuada para o candidato do Partido dos Trabalhadores, informam as pesquisas eleitorais.
Este é o fato determinante da cena política em setembro de 2021, quando faltam 13 meses para o primeiro turno da eleição presidencial.
Mesmo recordando que as pesquisas refletem uma situação de momento, é bom lembrar que a posição vantajosa de Lula não é fruto de truques de publicidade nem jogadas de marketing, que podem produzir novidades de pouca duração.
Em primeiro lugar, é o resultado natural de uma história política de meio século, onde a biografia se confunde com várias mudanças positivas ocorridas no país.
Embora tenha sido alvo de uma perseguição implacável nos últimos três anos, em 2021 sua candidatura consegue reunir as realizações positivas de governos do PT com uma postura coerente em defesa dos direitos e conquistas que devem ser assegurados no futuro.
Enquanto diversos oposicionistas de hoje procuraram formas bastardas de convivência com o bolsonarismo, Lula colhe os frutos positivos de quem não cedeu nem vacilou.
Essa postura lhe assegura um apoio amplo, numa conjuntura onde a questão social se combina com a questão democrática, como temas principais da campanha. Num país arruinado, Lula representa a possibilidade mais realista de unir a nação para resgatar seu destino.
Não é de estranhar que mesmo lideranças como Fernando Henrique Cardoso tenham anunciado apoio a Lula, caso o PSDB não seja capaz de apresentar um candidato competitivo.
A fraquíssima presença popular nos comícios deste domingo deixou uma lição para o conjunto do universo político. Não tem a ver com divisão da oposição — mas amadurecimento da maior parte do eleitorado, que já escolheu quem é o nome capaz de derrotar Bolsonaro e encerrar o flagelo que ameaça o futuro de várias gerações.
Nessa conjuntura dramática, toda distração é desperdício de energia e só beneficia o inimigo.
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