O cineasta José Padilha, diretor de “O Mecanismo” e um dos maiores admiradores do ex-juiz Sergio Moro até 2019 escreveu ontem em seu Twitter:
“Se ficar entre Lula e Bolsonaro, voto no Lula”.
Ele parece não ser o único ex-eleitor de Moro que agora opta pelo ex-presidente, e não por Bolsonaro, apesar da maior identidade ideológica entre o ex-juiz e o atual presidente.
O Datafolha de ontem revelou crescimento de cinco pontos percentuais de Lula em relação ao Datafolha de março: de 43% para 48%.
Bolsonaro foi de 26% para 27%.
Ciro, de 6% para 7%.
Simone Tebet, de 1% para 2%.
Nulos, de 6% para 7%.
Indecisos, de 2% para 4%.
De onde vieram os cinco pontos percentuais de Lula?
Na pesquisa de março, Moro, com 8% e Doria, com 3% ainda eram candidatos.
Os 11 pontos percentuais que detinham foram para: Lula (cinco), indecisos (dois), Bolsonaro (um), Ciro (um), Tebet (um) e nulos (um).
Quem ganhou mais com as renúncias de Moro e de Doria foi Lula, embora ambos sejam anti-lulistas. E foi Moro, com seus 8%, quem ajudou mais Lula a alcançar 54% dos votos válidos no primeiro turno.
Moro, que em 2018 impediu a vitória de Lula, em 2022 assegura a vitória de Lula.
O Datafolha mostra que 1) eleitores de Moro e de Doria tendem a optar por Lula, quando a outra opção é Bolsonaro; 2) o que prova que a ideologia dos candidatos não é o que pesa mais na escolha do eleitor e 3) ex-eleitores de Moro e de Doria rejeitam mais Bolsonaro que Lula.
O mundo dá voltas.
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