Por Paulo Moreira Leite
Ninguém tem o direito de minimizar a festa popular que se espalhou no país a partir da noite de ontem, quando a derrota de Jair Bolsonaro ficou clara.
Ainda que a vitória de Lula, por 50,90% dos votos, tenha sido a mais apertada da história da República, do ponto de vista da democracia não há um único reparo a ser feito. Trata-se de um evento de importância histórica, espetacular em todas as dimensões.
As urnas de 2022 interromperam o prolongado curso golpista iniciado pela deposição de Dilma Rousseff e reforçado pela prisão de Lula, com a instalação do mais reacionário governo desde o desembarque de Cabral nas praias da Bahia.
Consumada a etapa inicial — a vitória nas urnas –, Lula pronunciou um vigoroso discurso, num caminhão de som da avenida Paulista. Ali, com a coerência quem não teme lembrar idéias anunciadas há muito anos na própria vida pública, afirmou:
— A partir de 1º de janeiro de 2023 vou governar para 215 milhões de brasileiros e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação.
São palavras necessárias num país cindido pelo bolsonarismo e seu laboratório de destruição de empregos, mentira e hierarquia social..
Ao fazer do combate à desigualdade o centro de seu discurso na noite da vitória, Lula assumiu o compromisso que brasileiros e brasileiras sempre quiseram ouvir.
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