O “mercado” é impressionante. A imprensa também.
O que disse Lula? Isto: “Eu nunca vi um mercado tão sensível como o nosso. É engraçado que esse mercado não ficou nervoso durante quatro anos do governo Bolsonaro”. E um pouco mais, ao perguntar: “Guardar dinheiro para pagar dívida de banqueiro?”
Instalou-se uma espécie de polvorosa fake, com Bolsa caindo e dólar subindo. Analistas da mídia tradicional e mercadista correram a puxar a orelha do presidente eleito, que “vinha bem”, mas agora “sinaliza irresponsabilidade fiscal”.
Parece piada.
A responsabilidade fiscal é compromisso de Lula e está na vitrine dos seus oito anos de governo. Ocorre que o “mercado” quer mais. Quer que o cuidado com os gastos públicos esteja acima da preocupação com as carências da população e a necessidade de investimentos. Com Lula isso não acontecerá.
O “mercado” quer ainda mais sinais do presidente eleito em sua direção. Não bastam os nomes dos economistas que o apoiam e o assessoram. Essa assombração mal definida que busca reger os destinos da humanidade pretende obrigar o futuro mandatário a ater-se antes de tudo ao teto de gastos, uma âncora aberrante que ignora a realidade de uma nação que precisa do Estado.
Banqueiros se arvoram a dizer que “responsabilidade fiscal e social andam sempre juntas”. Onde? Como, se o teto de gastos impede destinações suficientes para o auxílio aos pobres, para plano de medicamentos a baixo custo e para suprir tantas outras carências sociais? Faltou explicar que o famigerado teto não é um instrumento modelar de responsabilidade fiscal, mas um modelo acabado de irresponsabilidade social.
Lúcido mostrou-se José Roberto de Toledo, no UOL: “A ‘Faria Lima’ precisa tomar um calmante porque se for oscilar toda vez que o Lula der uma declaração de manhã de um jeito e, à tarde, de outro, ela vai ficar pirada. O Lula fala conforme o público”.
Bingo. Lula tem mesmo dois públicos. Um, precisa dele. Outro, quer capturá-lo.
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