O grande saldo da luta antiracista no estádio de Valência, domingo, é a afirmação de uma nova consciência negra, que não só denuncia o racismo — mas é capaz de lutar, com as próprias mãos, contra a submissão do povo preto sem pedir licença ao andar de cima.
O exemplo vivo dessa situação é Vinícius José Paixão Oliveira Jr, 23 anos completados em 12 de julho, o Vini Jr.
Não é preciso recordar seu comportamento, neste domingo. Quem ainda não viu, só precisa procurar nas redes, com imagem, som e todos os detalhes. O mais importante é debater seu significado profundo.
Entre rasteiras, pontapés, estrangulamentos e empurrões, Vini Jr mostrou ter a clareza de quem sabe o que está fazendo e a vontade clara de atingir seus objetivos. O nome disso é consciência política, fator essencial na mudança no comportamento de povos e países.
Ele não estava em campo só para fazer bonito, com suas arrancadas, os dribles e chutes que deslumbram torcedores do mundo inteiro, mas para mexer uma pequena pedra da História. Conseguiu.
Recusando o papel de vítima, saiu de campo a caminho de um patamar político destinado aos guerreiros e, quem sabe, heróis.
No futebol, o Real Madri perdeu de 1 a 0 e o próprio Vini Jr acabou expulso. A decisão envolveu um erro escandaloso, quando o árbitro valeu-se do próprio Var para consumar uma medida criminosamente injusta.
Não é isso o que importa, porém. Se as guerras entre torcidas são tão antigas como o futebol, a batalha de Valência afirmou um combate essencial contra o racismo e pela dignidade dos povos do mundo.
Craque com talento de gênio, Vinícius José Paixão de Oliveira Jr exibiu a alma indispensável de quem não desiste da própria luta. O 21 de maio de 2023 jamais será esquecido pelos pretos e pretas do mundo e será celebrado pelos homens e mulheres que não perderam a própria humanidade.
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