Opinião

Milei ataca no último debate: “Assassina”, “burro” e sem Acordo de Paris

“As atenções estavam voltadas para os três candidatos que nas eleições primárias tiveram empate técnico: Milei, Massa e Bullrich”, conta Marcia Carmo

Javier Milei
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O segundo e último debate presidencial antes do primeiro turno da eleição do dia 22 de outubro foi o palco para o candidato da extrema-direita Javier Milei ratificar seu estilo e suas propostas caso seja eleito.

O clima do lado de fora do local do debate, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA), no bairro da Recoleta, mostrou que a campanha eleitoral esquentou a poucos dias da votação. Os grupos de eleitores, que erguiam cartazes e bandeiras, às vezes se entrelaçavam de tão próximos que estavam uns dos outros. “Massa, presidente”, “Patricia, presidente”, “Milei, presidente”, cantavam.

Em Buenos Aires, a noite do domingo teve momentos similares aos que o país viveu recentemente quando foi campeão da Copa do Mundo de Futebol. À medida que o horário do debate se aproximava, muita gente corria para tentar pegar o transporte para assistir ao encontro em casa ou nos cafés e bares da cidade.

Como no primeiro debate presidencial, a audiência televisiva voltou a registrar altos índices. O debate foi seguido também pelas redes sociais e portais de notícias. O interesse mostrado pelos argentinos evidencia a importância desta eleição, que pode definir os rumos do país – entre o liberalismo total da economia (incluindo também as áreas de saúde e de educação) proposto por Milei, a manutenção do sistema atual, com algumas mudanças, sugerido pelo ministro da Economia e candidato Sergio Massa, e as mudanças na área econômica e de segurança pública defendidas pela macrista Patricia Bullrich.

A menos de duas semanas do primeiro turno, Milei foi explícito ao dizer que não pretende respeitar o Acordo de Paris, caso seja eleito. À sua maneira, ele nega a existência do aquecimento global. Nas suas respostas, nos tempos cronometrados pelo esquema do debate, ele chamou Massa de ‘burro’ pela forma com que o ministro conduz a economia do país. E atacou a ex-ministra de Segurança do governo Macri, chamando-a de “assassina”. Na semana passada, Bullrich entrou na Justiça contra Milei depois que ele disse, num programa de televisão, que ela “colocou bombas em jardins de infância” nos anos setenta. Ela negou os atos e o acusou de calúnia.

Logo na apresentação de cada candidato, nos primeiros minutos do debate, Milei, da A Liberdade Avança (que tem dividido a comunidade judaica argentina com suas declarações), Bullrich (Juntos pela Mudança) e Juan Schiaretti (‘Fazemos por nosso país’) declararam “solidariedade” ao povo de Israel, após os ataques do Hamas. Já a candidata da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores-Unidade, Myriam Bregman, se diferenciou ao lamentar as mortes de civis e recordar os territórios palestinos ocupados por Israel – resultado, disse ela, “das políticas genocidas e do aparheid” de Tel Aviv contra os palestinos. O candidato do governo, Massa (União pela Pátria) expressou “solidariedade com todas as vítimas de um ataque terrorista brutal”.

No debate, as atenções estavam voltadas principalmente para os três candidatos que nas eleições primárias, no dia 13 de agosto, tiveram empate técnico, segundo dados oficiais: Milei, Massa e Bullrich. Mas como Milei saiu à frente, algo que as pesquisas de intenção de voto não tinham previsto, ele passou a ser apontado como favorito. A dúvida é se haverá segundo turno em novembro e quem será, de fato, o mais votado no primeiro turno.

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