A situação econômica da Argentina se parece mais à do Brasil de 1989 que de 2018.
O principal problema argentino é a inflação, que já bate na casa dos 150% ao ano.
Em 1989, a inflação no Brasil era dez vezes maior: 1.782%.
Os brasileiros acreditaram nas propostas demagógicas de Fernando Collor, que fez campanha sob o epíteto de “o caçador de marajás” e venceu.
O mantra principal de Milei é combater “la casta”.
Os marajás, portanto.
Tal como Collor na campanha de 89, Milei não deixa muito claro como irá derrubar a inflação.
Fala em dolarizar a economia, em fechar o Banco Central, em romper com o Mercosul e ignorar o Brasil: tudo o que não se deve fazer para romper o ciclo inflacionário e reaquecer a economia.
Mas não explicita as medidas que pretende tomar.
Tal como Collor, que jurava por tudo que é sagrado que seu oponente, Lula, tinha planos de confiscar a poupança dos brasileiros.
Tanto Milei quanto Collor tem perfil agressivo, hostil, autoritário e intolerante.
E muito pouco propenso a desistir de suas ideias.
A bala de prata que Collor usou contra a inflação – confisco das contas bancárias dos brasileiros – na realidade feriu e matou a economia e muitos cidadãos brasileiros.
E a inflação, nem tchuns: Collor a deixou em 1.158% quando foi chutado do poder, em 1992.
Não dá para cravar se Milei, caso eleito, irá resistir à tentação de também usar uma bala de prata contra a inflação argentina.
E atingir o país e sua população.
O mais prudente é não lhe entregar o revólver.
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