O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, membro da extrema-direita internacional, até o momento não aceitou indicações do ex-presidente Mauricio Macri para cargos no futuro governo que toma posse no dia 10 de dezembro. O ex-presidente Mauricio Macri já apresentou a Milei indicações para a presidência da petrolífera estatal YPF, cuja privatização foi ratificada pelo presidente eleito, e para as áreas da Justiça e da Educação. Não emplacou nenhum. Segundo o jornal Página 12, a intenção de Milei seria dar “alguma coisa” a Macri, mas ao mesmo tempo deixar claro que não se trata de um governo de coalizão.
Para poder governar e aprovar todas as insanidades que propõe, Milei precisará de todo apoio da coalizão Juntos pela Mudança, que lançou a candidata Patricia Bullrich, que ficou em terceiro lugar no pleito, e que tem em Macri um de seus líderes. Se todos os 93 deputados apoiarem o novo governo, Milei alcançaria maioria na Casa, somando às 37 cadeiras conquistadas pelo seu partido, A Liberdade Avança. Só que integrantes eleitos pela ala mais moderada da coalizão macrista rejeitaram se aliar ao representante da extrema direita internacional. Por outro lado, os deputados de esquerda chegam a 121 e outros 6 representantes são independentes. Na Câmara argentina, são ao todo 257 assentos e 129 deles garantem a maioria nas votações.
Além disso, no Senado a situação também não é fácil para a governabilidade de Milei. Dos 72 votos totais da Casa, Juntos pela Mudança e Liberdade Avança têm 32 votos, 5 votos a menos do mínimo 37 para obter a maioria. Isso na hipótese de todos os senadores eleitos pela coligação de Patricia Bullrich e Macri apoiem Milei, o que é improvável. Os partidos União pela Pátria, do peronismo, e Terceira Via têm juntos 37 votos.
Com um cenário adverso pela frente, Javier Milei precisará de muita habilidade política para costurar a concretização de suas propostas anarco capitalistas. Ele precisa de votos. Se for jogar “dentro das quatro linhas”, Milei deve esperar oposição dura no Congresso e nas ruas. E aí veremos a repressão entrar em campo e as consequências entram no imponderável. Com sua megalomania quase caricata, sem maioria para governar e sem dividir o governo com aliados, Javier Milei pode inclusive entrar para a lista de presidentes de curto mandato na Argentina, num arranjo político com os mesmos atores que o apoiaram.
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