Os advogados de Bolsonaro devem estar arrependidos por permitir que participasse do comício de ontem.
Os riscos eram enormes.
Ele está sendo investigado pela PF pelo crime mais grave que pode ser cometido contra o estado brasileiro. É claro que todas suas palavras seriam examinadas com lupa. E fariam parte do inquérito já bem alentado.
Convenhamos. Ele até que se comportou bem no quesito ataques ao STF, vestiu o figurino do Jairzinho Paz e Amor, mas é o tal negócio: quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo. (Não é indireta ao seu apelido na caserna).
Discurso vai, discurso vem, o ex-presidente se empolgou e deitou falação sobre o assunto mais delicado da investigação, sobre aquilo que ele jamais deveria mencionar: a minuta do golpe.
(Se os advogados não o alertaram para isso, devem ser demitidos.)
Na tentativa de se descolar da minuta, ele, ao contrário, deixou claro que sabia dela, embora desqualificando-a.
Os investigadores vibraram. Essa era a “confissão” que eles pretendiam obter no interrogatório do qual Bolsonaro fugiu.
Os aliados comemoram o ato na Paulista. Oh, quanta gente! Centenas de milhares! A maior manifestação da história mundial!
Claro, para eles foi ótimo. Viram ali um curral eleitoral bem consolidado. E não é a cabeça deles que está em jogo.
Para Bolsonaro foi um desastre. Entregou a minuta de bandeja para a PF.
Ninguém poderá acusá-lo de não colaborar com as investigações…
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