Opinião

Popularidade cadente; não adianta tapar o sol com a peneira

Insistir no déficit zero é caixão e vela preta

Presidente Lula em Niterói
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Sinal amarelo pisca de novo para a popularidade do presidente Lula diante dos juros escorchantes mais altos do mundo que não deixam a economia crescer sustentavelmente.

O governo está escorregando nas pesquisas, não adianta chororô, porque todos sabem a causa de cor e salteado das razões efetivas sobre o porquê disto estar acontecendo.

Enquanto a Selic, conduzida a ferro e fogo pelo Banco Central Independente, aliado dos banqueiros, os negócios não fluem e a corda aperta o pescoço da economia, que sofre, com queda da inflação, perdas de arrecadação, sem a qual investimentos recuam.

Os empresários preferem – mais uma vez esse argumento imbatível – ganhar no facilitário do que na dureza de ter que dar murro em ponta de faca, no cenário de incerteza.

Na especulação, o lucro vem fácil, sem precisar fazer força alguma; já na produção é preciso suar a camisa; o juro puxa para cima o custo da empresa, que repassa aos preços e ao mesmo tempo reduz a produção para não enfrentar queda na taxa de lucro com aumento de estoque.

Melhor sustentar capacidade ociosa, manter oferta escassa, preço alto, para não ter prejuízo, enquanto é mantida constante a lucratividade em meio à redução da oferta.

Não sobra alternativa ao consumidor, senão submeter-se aos preços altos, reduzindo, relativamente, o consumo, no compasso da queda relativa dos salários, graças à reforma trabalhista e previdenciária, responsáveis por reduzir o poder de compra dos trabalhadores.

O Congresso, por sua vez, para barrar a economia lulista, joga com os especuladores, atrasando, o máximo que pode, conclusão da reforma tributária, sem a qual os investidores seguram investimentos etc.

A tendência baixista dos lucros na produção dada pelo subconsumo mantém o Banco Central Independente com mão no freio da oferta de dinheiro em circulação sob argumento de que o risco se eleva no cenário de escassez.

O preço do risco é o juro alto.

O presidente Lula, na base do desespero, pois não está com recursos suficientes para tocar o PAC desenvolvimentista, graças ao arcabouço fiscal neoliberal, pede reunião emergencial do Ministério para abrir brechas para diminuir reajustes das tarifas de água e luz da população.

As contas dos contribuintes consumidores por conta do subconsumismo estão atrasadas, bloqueando, cada vez mais, a capacidade de arrecadação governamental.

Pelo menos, abrindo espaço para renegociação das dívidas dos consumidores, receberá um pouco menos que é melhor do que nada receber.

O governo está sob pressão do subconsumismo, fruto da desigualdade social, que impede a população de manter suas contas em dia.

Também, pudera, como dispor de arrecadação, se não pode elevar investimentos sociais que são renda disponível para o consumo, a ser transformado em tributos, se o tesouro está gastando, nos últimos doze meses, R$ 740 bilhões só em pagamento de juros e amortizações da dívida pública?

O Ministério da Fazenda teima em cumprir déficit primário zero enquanto solta as rédeas no déficit nominal, expressão dos gastos sem freios com as despesas financeiras especulativas?

A conta bilionária dos juros não se traduz em nenhum centavo de investimentos na economia; é dinheiro que vai pelo ralo, enquanto vai secando, paulatinamente, a oferta dele para saúde, educação, infraestrutura, que freia o ritmo de arrecadação, sem a qual o crescimento do PIB sofre baque.

O pior, portanto, vai acontecendo, com transparência clara: a popularidade do governo sofre desgastes, como anuncia o Instituto Quaest, registrando números cadentes de popularidade presidencial em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná.

Se um pouco do que vaza para banqueiros e especuladores fossem destinados para os gastos sociais, a capacidade de investimentos do governo aumentaria e, consequentemente, a popularidade do presidente Lula não estaria correndo perigo, como está acontecendo.

Insistir no déficit zero, portanto, é caixão e vela preta.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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