Por Alex Solnik – O presidente Lula comete três equívocos ao avaliar que sua guerra na eleição a prefeito de São Paulo é apenas contra Bolsonaro, seu principal adversário nacional há seis anos.
O atual prefeito e candidato à reeleição formou uma coligação de 11 partidos, sete dos quais fazem parte da base de apoio do governo Lula, ou seja, a maioria dos apoiadores do atual prefeito não é de partidos alinhados a Bolsonaro, eis o primeiro equívoco: ao declarar guerra ao atual prefeito, Lula declara guerra a sete partidos de cujo votos depende para aprovar seus projetos no Congresso Nacional; declara guerra ao seu próprio governo!
O segundo equívoco é desprezar o fato de que o governo de Ricardo Nunes é uma continuação do de Bruno Covas, herdeiro político de uma das maiores lideranças de São Paulo e do Brasil, o ex-governador Mário Covas, um dos baluartes da democracia brasileira.
O terceiro é ignorar que a cidade tem ex-eleitores de Paulo Maluf, cujos anseios e valores estão muito mais vinculados a Nunes que ao candidato de Lula.
Ao se engajar de corpo e alma na campanha de Boulos, Lula enfrenta, portanto, três forças políticas: Maluf, Covas e Bolsonaro.
Napoleão fracassou em Waterloo ao enfrentar de uma só vez dois exércitos, o inglês e o alemão.
Que dirá se tivesse enfrentado três.
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