247 – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou o afastamento de dirigentes do Banco de Brasília (BRB) citados em relatório técnico produzido no âmbito da apuração sobre a compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico e tem como base uma nota oficial divulgada pelo Governo do Distrito Federal.
A medida foi adotada após a conclusão de uma auditoria independente contratada pelo próprio BRB para investigar possíveis irregularidades na operação. Segundo o texto, a auditoria foi conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll Associates Brasil. Os nomes dos dirigentes afastados, no entanto, não foram divulgados.
O episódio se insere em um contexto de forte pressão sobre a situação financeira do banco público distrital. De acordo com as informações publicadas, a aquisição das carteiras fraudulentas do Banco Master gerou um problema de liquidez no BRB, que agora necessita de R$ 8,8 bilhões em aumento de capital. A decisão política de afastar os dirigentes envolvidos busca preservar a apuração e responder à gravidade da crise instalada.
Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou: “A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, determinou o afastamento dos dirigentes citados em relatório técnico relacionado ao Banco de Brasília (BRB), como medida necessária para garantir transparência nas apurações”.
A manifestação oficial também procurou destacar que o afastamento não representa uma condenação prévia dos envolvidos. Segundo o GDF, a decisão não “antecipa qualquer julgamento”, mas pretende assegurar que as investigações avancem “com independência e responsabilidade”. Ainda de acordo com a nota, o direito ao contraditório será preservado durante todo o processo.
O governo distrital também procurou reforçar o sentido político e institucional da medida. Na parte final do comunicado, declarou: “O compromisso do Governo do Distrito Federal é com a verdade dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população”.
A decisão de Celina Leão tem peso relevante não apenas na esfera administrativa, mas também na dimensão política e institucional do caso. O BRB é uma das principais instituições financeiras controladas pelo poder público local, e qualquer operação suspeita com impacto bilionário inevitavelmente amplia a cobrança por responsabilização, transparência e rigor na governança.
O afastamento dos dirigentes citados no relatório técnico representa, assim, um desdobramento direto da auditoria contratada para esclarecer como se deu a operação envolvendo o Banco Master e quais agentes internos do BRB teriam participado ou dado aval ao negócio. Embora os nomes ainda estejam sob sigilo, a iniciativa do governo sinaliza que o caso entrou em uma nova fase, marcada por medidas concretas para tentar conter os danos institucionais e restaurar a confiança pública.
O centro da controvérsia está justamente na suspeita de que houve validação interna para a compra de ativos fraudulentos, operação que teria contribuído decisivamente para o desequilíbrio de liquidez do banco. Em um ambiente de crescente cobrança sobre a gestão de bancos públicos, a crise do BRB passa a ser observada também como um teste para os mecanismos de controle, compliance e responsabilização no setor financeiro estatal.
A partir de agora, a tendência é que o conteúdo do relatório e os desdobramentos das investigações passem a orientar os próximos passos administrativos e jurídicos do caso. O afastamento, ainda que apresentado como cautelar, eleva a pressão sobre a apuração e amplia o interesse público em torno da responsabilização dos eventuais envolvidos no escândalo.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:






Participe da discussão