O IPCA de abril divulgado nesta manhã mostrou inflação de 0,67%, levemente acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,66%. No acumulado de 12 meses, a inflação já alcança 4,39%, muito próxima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%. Nos quatro primeiros meses do ano, o IPCA acumula alta de 2,60%, praticamente o equivalente à meta central de inflação de 3% para todo o ano. A conta começa a ficar apertada para a autoridade monetária.
A composição do índice trouxe sinais mistos. A difusão da inflação, que mede o espalhamento dos aumentos de preços pela economia, apresentou leve melhora, recuando de 67,4% para 65,5%. Excluindo alimentos, a difusão caiu para perto de 64%, indicando alguma desaceleração da inflação mais estrutural. Ainda assim, o nível permanece elevado e incompatível com um cenário confortável para o Banco Central.
O principal foco de pressão continuou sendo o grupo de alimentos e bebidas, que voltou a registrar forte alta. O avanço foi de 1,34% em abril, abaixo dos 1,56% observados em março, mas ainda em patamar bastante elevado. O choque recente do petróleo também segue contaminando preços importantes da cadeia, especialmente combustíveis e custos logísticos.
O grupo saúde e cuidados pessoais acelerou fortemente, saindo de 0,42% para 1,16%, refletindo reajustes de medicamentos e outros itens do setor. Artigos de residência também mostraram pressão relevante. Por outro lado, transportes trouxeram algum alívio, desacelerando de 0,64% para apenas 0,06%, ajudando a evitar um resultado ainda pior para o índice cheio. Pequenas vitórias estatísticas.
Apesar de a inflação ter ficado um pouco menos disseminada, ela segue elevada e concentrada em grupos sensíveis, especialmente alimentos. Isso torna o cenário particularmente difícil para o Banco Central. A autoridade monetária enfrenta uma economia com expectativas de inflação desancorando, preços pressionados por choques externos e um petróleo ainda girando próximo dos US$ 100 o barril.
O ambiente internacional também complica o quadro doméstico. O petróleo elevado continua pressionando a inflação global, inclusive nos Estados Unidos, reduzindo o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve. Esse cenário limita a margem de manobra do Banco Central brasileiro, mesmo com a Selic já em nível extremamente elevado.
A leitura predominante do mercado deve continuar sendo de manutenção de juros altos por mais tempo. Ainda pode haver espaço para ajustes adicionais modestos na Selic, mas o ciclo de queda de juros parece cada vez mais restrito diante da aceleração inflacionária e da piora das expectativas. O IPCA de abril reforça a percepção de que o processo de convergência da inflação para a meta segue distante e sujeito, mais uma vez, aos desdobramentos do choque do petróleo.
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