Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) – A safra de soja do Brasil em 2023/2024 foi estimada nesta quinta-feira (11) em 143,18 milhões de toneladas, apontou a consultoria Pátria AgroNegócios, que reduziu sua estimativa em 7,51 milhões de toneladas ante o levantamento anterior.
Caso se confirme a projeção, que traz um dos números mais baixos estimados para a atual temporada por causa de eventos climáticos extremos, a produção brasileira ficaria 7,4% menor em relação ao ciclo anterior.
O diretor da Pátria AgroNegócios, Matheus Pereira, atribuiu a estimativa mais baixa à metodologia utilizada, que leva em consideração uma previsão climática “mais conservadora”.
“O Brasil não passou por um padrão (climático) nem sequer perto de favorável nestes últimos meses. A retomada das chuvas não foi generalizada”, disse ele ao ser questionado pela Reuters sobre os números revisados.
Nesta semana, a Conab afirmou que safra brasileira ainda atingirá o recorde de 155,27 milhões de toneladas, apesar de ter cortado o potencial produtivo pelo tempo quente e seco em importantes regiões produtoras.
Alguns analistas privados, contudo, já vêem a colheita entre 151 milhões e 153 milhões de toneladas.
Segundo Pereira, grande parte do mercado tem falado agora “de números abaixo dos 155 MTs, que foi nossa estimativa de julho deste ano”.
Ele argumentou que toda a fase vegetativa da soja enfrentou seca e calor, limitando seu potencial produtivo, e isso não se reverteu em função das recentes chuvas.
“Além do mais, (são) precipitações que não salvam o que já passou.”
Pereira comentou que o corte total da estimativa de produção brasileira em 2023/2024 já chega a cerca de 21,5 milhões de toneladas frente ao potencial produtivo original, tornando-se a segunda maior quebra da história do Brasil, atrás da safra 2021/2022, quando 25 milhões de toneladas foram perdidas com a seca no Sul do país.
No milho, a produção total foi estimada em 110,29 milhões de toneladas, redução de 16,4% em relação ao ciclo anterior e 2,22 milhões de toneladas menor em relação ao último levantamento da Pátria AgroNegócios.
“A janela de plantio segue sendo a principal preocupação. A grande chave para a formação das produtividades está na permanência do fenômeno El Niño nos próximos 2-3 meses –caso confirmado, novos cortes de rendimento e área serão prováveis”, disse, referindo-se ao milho segunda safra, que responde pela maior parte da produção nacional e cujo plantio está só começando.
(Por Roberto Samora)
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