Opinião

A foto, o Baixo Clero e o fedor de seu “castelo” colonial

Triste imagem esta foto. Mostra tão somente a nossa pior face… Que gostaríamos de não mais ter de ver em nossas vidas intergeracionais destruídas por séculos colonial…

Rodrigo Maia, Jair Bolsonaro, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli
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Idade Medieval[1]. Cidades podres. Vielas fétidas da urina dos desavisados. Ratos correm pelas ruas. Parecem familiarizados com o ambiente degradante. Castelos fedorentos jogam nas ruas da cidade o seu esgoto. Os narizes humanos suportam o que não tem jeito de atenuar.

 Essa descrição seria perfeitamente ajustável aos séculos próximos de um dígito, no arvorecer tão precário das grandes cidades europeias emergentes. Todavia, é apenas a semiótica do Brasil contemporâneo. Regredimos a um tempo rude, selvagem, bárbaro, sem lógica, onde o laureamento da irracionalidade reinou-se como senso comum – dos comuns e dos “nobres”. E a feiura como estética institucional da República em ruínas, é o que agrada aos olhos.

 Para dar tons – de azuis – a esta cena, elucido a imagem que vi essa semana. Uma foto [2] do Presidente da República, Jair Bolsonaro, ombreado aos presidentes da Câmara e do Senado Federal, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Para completar a távola do inferno de Dante, Dias Tofolli, último ex-presidente do STF, recém saído de seu trono – naquele castelo de areia chamado Suprema Corte. (Volatilidade semântica em cínicas instituições!)

 Talvez seja uma das fotos mais mesquinhas que eu já tenha visto nos últimos anos (ainda estou julgando). É a síntese do fisiologismo barato, da mentalidade colonial (neste caso sob a perspectiva dos capitães do mato), e da ascensão do mais asqueroso que o Baixo Clero da política e da justiça brasileiras poderiam oferecer – a nós, brasileiros.

 Sim, porque absolutamente nenhum dos quatro homens dessa foto (que me referi) seriam algo (nada), não fossem os eventos históricos de controvérsia da lógica ocorridos nestes últimos… quatro anos na República. O laurear da irracionalidade possível.

 Senão, vejamos:

 1) Bolsonaro, o resto mais pro-lixo que os porões do Congresso Nacional poderiam nos emergir. Vence a eleição de 2018 por forças totalmente estranhas. É o escopo genético personificado da mentira e da hipocrisia. É a farsa como gente e como Presidente. É o anti-gente!

 2) Maia somente se tornara Presidente da Câmara porque foi um “presente” do Golpe de 16 dado a um membro fútil da oligarquia caduca. Trata-se de um anti-destino na existência da civilização que se chama Brasil.

 3) Alcolumbre. Quem é mesmo esse homem? Desde quando está na política? Alguém já o viu em alguma luta útil pela República ou na defesa da Democracia? Não é possível nem comentar o que nunca foi sequer comentado. Brotou de algum limbo periférico de baixo IDH e muita desnutrição. Só pode!

 E, 4) Tofolli. Puxa! A síntese do traidor. A ressurreição de Judas (que, de tempos em tempos, aparece para puxar o calcanhar da gente). O escopo do pusilânime. Um cara que Lula, o sindicalista que virou Presidente do Brasil (de esperanças); o operário com algum poder institucional, este que rompe o legado colonial (mesmo que seja por poucos minutos), faz uma fissura na história óbvia do Brasil, e resolve imprimir uma nova classe de operadores do Direito a ocupar os postos-chave da Nação. Ao menos o primeiro indicado do Lula (Dias Tofolli) à Suprema Corte era de Lula, era da “esquerda”, não viera de acordos com o Congresso Nacional ou com as forças hegemônicas eternas. Foi a experienciação de um nome “puro sangue”, sem a anuência de Sarneys, Renans, Cabraus etc. Os seguintes, para ter algum acesso à sabatina do Senado, jamais poderiam ter pronunciado prosodicamente o nome “PT”. Apenas Tofolli teve esse direito. Mas olha no que se tornou (ou desmascarou) o jovem advogado: num capacho do que há de mais podre na República brasileira. Um magistrado como a maioria: elitista, egoísta, equilibrista[3]…

 Triste imagem esta foto. Mostra tão somente a nossa pior face… Que gostaríamos de não mais ter de ver em nossas vidas intergeracionais destruídas por séculos colonial…

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 [1] O termo adequado seria “Idade Média”. Porém, por carga semântico-imagética achei melhor fundir os termos e trazer logo a acepção “Medieval”, como simbologia do atraso civilizatório-humano. 

[2] É fundamental fazer uma ressalva à/ao Leitora/or que não se trata de qualquer foto institucional de quatro homens representando suas respectivas instituições. Todavia, “amigos”, como num churrasco confraternizando. Entretanto, neste caso, a “festa” era uma negociata de bastidores para aprovar a Reforma da Previdência, e acabar com os direitos dos mais pobres. (A foto é de J. Batista, da Agência Câmara, tirada em março/2019.) 

Cena semelhante acontece essa semana em jantar na casa de Tofolli para chancelar o nome de Kassio Nunes a uma vaga no STF. Na justificativa, disseram que estavam apenas confraternizando, assistindo ao jogo “Palmeiras x Ceará”. 

[3] Equilibrista aqui não é habilidade positiva, sagacidade. É fator vulgar típico dos homens da República brasileira: pendem para um lado e outro, a depender da conveniência dos fins e dos meios.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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