Opinião

A Linguagem da Bala

‘Matar virou moeda corrente entre simpatizantes da extrema direita, com inteligência ou não. Matar é uma etapa do processo’, escreve o colunista Miguel Paiva

Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

A morte é o mote e a violência, a narrativa. Nada mais fascista, nada mais bolsonarista inclusive se lembramos do que Bolsonaro falou logo que tomou posse e se confirmou no governo; “Não vamos construir nada e sim destruir o que já foi feito e não concordamos”, ou algo idiota parecido. Mas faz sentido. E essa violência que foi facilitada, pegou. Virou linguagem e foi sendo assumida como solução de questões que a inteligência consegue enfrentar, mas a burrice, artificial ou não, encara a bala.

Mulher é um ponto de discórdia para certos homens, sobretudo mulher que pensa e dá sua opinião. Se ela se revolta então, vira uma ameaça esse homem. E no caso de ameaça, o que se faz, ou melhor, o que eles fazem? Matam.

Temos lido todos os dias mais de uma vez sobre casos de violência doméstica, feminicídio e homicídio em geral. Matar virou moeda corrente entre simpatizantes da extrema direita, com inteligência ou não. Matar é uma etapa do processo. E esse processo não leva a nada e sim a um acúmulo de negações típicas da ideologia em questão. Matar elimina de forma covarde a contradição, a discordância, a liberdade. As mulheres são as maiores vítimas porque os homens sempre as usaram como alvo de sua demonstração de poder.

Contra um outro homem não tem o mesmo efeito. Contra as mulheres, sobretudo “a sua” isso fica mais evidente. Quem manda aqui sou eu, dizem depois da agressão. Depois da morte você não tem mais pra quem dizer, porém fica o símbolo do poder, da superioridade da demonstração de força.

Quantas mulheres têm morrido atualmente? São tantas que corremos o risco de naturalizar diante do excesso de casos. Os homens continuam matando porque o crime é perdoado, digamos assim. Lentamente começa a se punir com mais rigor o feminicídio ou a violência doméstica, mas no fundo, mesmo na cabeça de quem pune, ainda resta aquele fiozinho de pensamento que não se ousa declarar de que o agressor tinha razão. Afinal, se livrar de condicionamentos tão arraigados no homem é muito difícil.

O Congresso reafirma essa linha de pensamento ao votar a favor das Fake News nas eleições, ao facilitar o comércio de armas, ao proibir as saidinhas por causa do controle da religião nos presídios. Estamos voltando no tempo e como diz o sábio jornalista Ricardo Kotscho,do jeito que vai está na hora do Congresso revogar a Lei Áurea. É perfeito. Faz todo o sentido e nessa caminhada pra trás os progressistas como nós ficam tentados a usar a mesma linguagem que a direita. Mas isso seria trágico.

Não somos assim. Somos honestos, transparentes e até moralistas. A desfaçatez é para eles. Temos que descobrir, além dos sucessos do governo, o que fazer para impedir esse avanço. Com Lira e Pacheco fica difícil, mesmo com Lula no Planalto. Mas é melhor com Lula do que sem. Vamos pensar, refletir, olhar pra frente e decidir da melhor maneira e mais pacífica possível o que fazer para que a vida seja mais fácil e o país mais feliz.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Participe da discussão

Ao vivo

Inscreva-se

Cobertura contínua dos principais assuntos do dia.

Hoje na TV 247 1 de Julho
Acompanhe as
últimas notícias