A menos de dois meses do primeiro turno da eleição presidencial, o ministro da Economia e candidato do governo à Casa Rosada, Sergio Massa, ganhou certo fôlego para a economia argentina. Massa se reuniu com o presidente Lula e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira (28), em Brasília. Ao lado de Haddad, o ministro e presidenciável disse que as exportações brasileiras para a Argentina terão garantia de financiamento de US$ 600 milhões por parte do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe). “A partir de um trabalho do Ministério da Fazenda do Brasil, do BNDES, do Banco do Brasil e do Ministério de Economia da Argentina, com o apoio do CAF, encontramos um instrumento de financiamento das exportações do Brasil para a Argentina por US$ 600 milhões”, disse Massa. Ele afirmou ainda que o Brasil também terá retorno, equivalente a este valor, pela “sinergia” das indústrias dos dois países, especialmente as do setor automotivo.
Esses recursos, que ainda devem ter uma aprovação formal do CAF, nos próximos dias, são necessários porque a Argentina não tem divisas para pagar o que importa e esta carência afeta o andar da sua própria indústria. Principal destino das exportações industriais brasileiras, a Argentina tem feito uma ginástica para conseguir honrar o acordo com o FMI – daquela bolada adquirida “precipitadamente” no governo Macri e cada vez mais criticada pelos economistas e até ex-diretores do Fundo. Com uma seca histórica que abalou ainda mais sua escassez de divisas, uma inflação galopante, o governo argentino está diante do desafio de tentar voltar a conquistar o eleitorado. Nas prévias, realizadas no dia 13 de agosto, o candidato de ultradireita Javier Milei recebeu mais votos que Massa e que a macrista Patricia Bullrich. Os três vão disputar o primeiro turno da eleição presidencial, no dia 22 de outubro.
Diante do desafio econômico e do impacto deste quadro no voto, chegou-se a especular que Massa deixaria o Ministério para se dedicar somente à campanha. “Não deixarei o ministério até o dia dez de dezembro”, disse ele. No dia dez de dezembro, será a posse do sucessor de Alberto Fernández. A disputa, em outubro, será entre Milei, fã do ex-presidente Bolsonaro e contrário ao Estado, Massa, que enfatiza a importância do Estado na vida das pessoas, e Bullrich, que com a visibilidade do candidato da ultradireita perdeu ressonância com seu discurso conflitivo e “em defesa do fim do kirschnerismo”. Massa, ao contrário de Millei e de Bullrich, comemorou a chegada da Argentina ao BRICs, com a “clara ajuda de Lula”, como dizem no governo argentino. Milei também tem dito que, caso seja eleito, afastará a Argentina do Mercosul, da Unasul e da Celac – pilares da integração regional.
Foi neste contexto que a visita de Massa foi realizada à Brasília. Além da imagem ao lado de Haddad, as emissoras de televisão argentinas e os portais de notícias postaram sua foto ao lado de Lula. O Ministério da Economia também distribuiu comunicado sobre os resultados da reunião. O texto foi ilustrado com a mesma foto – de Massa com o presidente brasileiro. Massa sugere que o respaldo do Brasil, neste momento, é fundamental para o comércio bilateral, mas igualmente para o rumo político da Argentina.
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