Opinião

Acordo Para a Guerra

“A guerra na Ucrânia, agora, tornou-se mandatória, sedimentada em um compromisso internacional”, escreve Marcelo Zero

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, caminham em frente à catedral de São Miguel, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, Ucrânia, 20 de fevereiro de 2023
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Os EUA e a Ucrânia acabaram de celebrar e anunciar, na reunião do G7, um acordo bilateral sobre segurança, com duração de pelo menos 10 anos, o qual, basicamente assegura e intensifica a manutenção da guerra naquele país.

O Acordo firmado obviamente é “binding”, isto é, os EUA se obrigam, mediante um tratado, a “defender” a Ucrânia contra a Rússia ou outras ameaças.

Dessa maneira, os EUA praticamente “bilateralizaram”, o famoso Artigo 5º do Tratado da Otan, que obriga as Partes a intervirem em caso de agressões contra quaisquer dos Membros.

Em síntese, o Acordo prevê, conforme a Casa Branca:

  • Construir e manter a capacidade credível de defesa e dissuasão da Ucrânia. O acordo estabelece uma visão para uma futura força ucraniana que seja forte, sustentável e resiliente. Os Estados Unidos e a Ucrânia aprofundarão a cooperação em segurança e defesa e colaborarão estreitamente com a ampla rede de parceiros de segurança da Ucrânia. Apoiaremos toda a gama das atuais necessidades defensivas da Ucrânia, agora e a longo prazo, ajudando a Ucrânia a vencer a guerra e reforçando as suas capacidades de dissuasão contra ameaças futuras. Juntos, expandiremos a partilha de informações, melhoraremos a interoperabilidade entre as nossas forças armadas, em conformidade com os padrões da Otan, e trabalharemos com os nossos aliados e parceiros para posicionar a Ucrânia como um contribuidor a longo prazo para a segurança europeia.
  • Reforçar a capacidade da Ucrânia para sustentar a sua luta a longo prazo, nomeadamente através do reforço dos esforços para reforçar a base industrial de defesa da Ucrânia e do apoio à sua recuperação económica e segurança energética.
  • Acelerar a integração euro-atlântica da Ucrânia, nomeadamente através da implementação pela Ucrânia de reformas nas suas instituições democráticas, económicas e de segurança, em linha com os seus objetivos de adesão à UE e com o programa de reformas da Otan.
  • Alcançar uma paz justa que respeite os direitos da Ucrânia ao abrigo do direito internacional, seja subscrita por um amplo apoio global, defenda os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, incluindo a soberania e a integridade territorial, e inclua a responsabilização pelas ações da Rússia. (isto é, apoiar a proposta de “paz da” Zelensky, a qual significa a capitulação Rússia).
  • Consultar, no caso de um futuro ataque armado russo contra a Ucrânia, aos mais altos níveis, para determinar medidas apropriadas e necessárias para apoiar a Ucrânia e impor custos à Rússia.

Ainda conforme a Casa Branca, este acordo, juntamente com os acordos e acordos de segurança que se reforçam mutuamente e que a Ucrânia assinou com uma ampla rede de parceiros ao abrigo da Declaração Conjunta de Apoio à Ucrânia do G7, é uma parte fundamental da ponte da Ucrânia para a adesão à OTAN.

Dessa maneira, os EUA (e também o G7) se comprometem a apoiar incondicionalmente o esforço de guerra na Ucrânia e a colocar esse país na Otan, justamente um dos principais motivadores do conflito. 

De imediato, haverá o envio de sistemas de mísseis Patriot e de caças F-16, entre outros equipamentos militares relevantes. Esses equipamentos poderão, agora, ser usados ofensivamente contra o território russo.

Ademais, foi anunciado, pelo G7, haverá a liberação de uma nova ajuda (empréstimo) de US$ 50 bilhões para a Ucrânia, que serão retirados (surrupiados) de fundos russos congelados.

Não bastasse, os EUA anunciaram também mais de 300 novas sanções econômicas, dirigidas principalmente contra empresas e bancos chineses que estariam “ajudando” a Rússia em seu esforço para manter sua economia funcionando. 

A guerra na Ucrânia, agora, tornou-se mandatória, sedimentada em um compromisso internacional.

E a paz, a paz viável, torna-se, cada vez mais, uma possibilidade distante.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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