Opinião

Argentina caminha para uma moratória

Macri está provando do veneno que pregou na campanha e exerce no governo, o neoliberalismo. É o domínio absoluto do mercado financeiro especulativo. A financeirização

mauricio macri, presidente electo. conferencia de prensa foto: Silvana Colombomauricio macri, presidente electo. conferencia de prensa foto: Silvana Colombo
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Não há medida de política econômica mais estúpida diante de uma desenfreada especulação contra a moeda local do que uma escalada brutal na taxa de juros. A Argentina acaba de fazer isso. Aumentou os juros básicos para  40%, acima inclusive dos patamares históricos do campeão mundial dos juros, o Brasil. O objetivo é estancar a corrida para o dólar. Idiotice. A corrida continuará até que, esvaziados os cofres de dólares, a Argentina caia numa moratória sem planejamento e sem uma trajetória clara para o futuro.

Macri está provando do veneno que pregou na campanha e exerce no governo, o neoliberalismo. É o domínio absoluto do mercado financeiro especulativo. A financeirização. Já se anunciou um novo ajuste fiscal, mecanismo de extrema contração de uma economia já combalida.Muito provavelmente a Argentina repetirá o caos do início dos anos 90, quando outro neoliberal, Carlos Menem, deixou o poder e entregou a Argentina em frangalhos. Recorde-se: sucederam-se cinco presidentes da República em dez dias, até que Kirchner colocou ordem na casa.

A exemplo da brasileira, a classe dominante argentina, herdeira dos anos gloriosos do agronegócio, é completamente indiferente ao que acontece com o povo. Ataca com violência todas as políticas públicas de sentido progressista e se apóia numa mídia vendida ao grande capital e ao sistema financeiro para  defender os próprios interesses. Tem total descaso pelo desenvolvimento. Macri é a expressão política desses grupos. Esse aspecto político se manifesta numa ação econômica regressiva, que em momentos de crise, como agora, se traduz em ajustes fiscais sucessivos e aumentos recorrentes dos juros.

Enquanto não se livra da pauta do mercado – e é a mesma coisa no Brasil -, a Argentina não tem destino. A idéia predominante é que tudo se resolve no livre jogo do capital, sem necessidade de intervenção do Estado exceto nos  momentos em que o grande capital financeiro corre risco. Nesse caso, o esforço feito para “estabilizar” a economia consiste em cortar gastos sociais, limitar investimentos públicos, e evitar a quebra bancária. Portanto, o exato oposto de um esforço real de retomada do crescimento, cujo pré-requisito, para eles que não tem as reservas que os governos do PT nos legou, é simplesmente a moratória. Ou ela vem agora pela ação política, ou virá em questão de semanas ou meses pelo mercado!

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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