Por Mauro Lopes, para o Jornalistas pela Democracia
O governo Bolsonaro estreita-se de uma maneira assombrosa.
Nesta sexta-feira Jair Bolsonaro anunciou que um tal Jorge Antonio de Oliveira Francisco assumirá a Secretaria-Geral da Presidência da República. Trata-se de um PM, major da reserva, uma espécie de “Queiroz que deu certo” para o coração do governo e para um posto-chave do ponto de vista institucional da Presidência da República!
A mídia está vendendo o sujeito como “amigo da família” (o que já seria grave), mas na verdade o major é um funcionário do clã há mais de 10 anos, como o pai o fora antes, por mais de 20 anos. O mesmo desenho relacional do clã com subtenente da PM Fabrício José Carlos Queiroz, um faz-tudo da famiglia -que “tudo” este outro Queiroz, o major Oliveira, fez e faz para Jair, Carlos, Flávio e Eduardo?
Bolsonaro rompe com todos os limites institucionais e vai compondo seu governo com um lumpesinato grotesco – ou, para usar a expressão do analista Artur Araújo, “o lumpen doméstico passa a ocupar os postos-chave”, do queiroz-oliveira secretário-geral ao playboy arrombador de condomínio presidente do BNDES.
É um golpe arriscado. Como observa o jornalista e arguto analista Gilberto Maringoni, “ao contrário de Collor – que no início de sua crise ampliou, com um ministério de ‘notáveis’ – Bolsonaro nomeia notórios para seguir com o convescote”.
Aguardemos pelo histórico da relação do major-serviçal com o clã, o que em breve deve começar a vir à tona.
A opção do estreitamento e radicalização de Bolsonaro tem tudo para, como se diz, dar ruim.
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