Essa reviravolta na relação Lula-Trump não é apenas uma anedota diplomática; é um lembrete de como a globalização entrelaça economias. O café e o hambúrguer, símbolos de consumo diário do estadunidense, provaram ser mais poderosos que discursos inflamados.
Com as exportações brasileiras para os EUA caindo 20,3% em setembro e os EUA enfrentando inflação alimentícia, o pragmatismo prevaleceu sobre o personalismo. O encontro Trump-Lula pode não resolver tudo — questões como sanções ao Judiciário brasileiro persistem —, mas sinaliza uma trégua nas relações bilaterais.
Caso Donald Trump atenda ao que foi pedido por Lula na videoconferência e as sobretaxas caiam, será uma vitória econômica para nós; para os americanos, um alívio nos preços. E assim, em um ano de tarifas e tensões, uma xícara de café mais barata e um hambúrguer acessível se tornarão os verdadeiros pacificadores.
No espectro político-ideológico, bolsonaristas acreditam, sem convicção, que a indicação do secretário de Estado, Marco Rubio, para negociar com o governo brasileiro representa um presente dos gregos aos troianos. No entanto, queixam-se de que Lula roubou o elogio de “homem bom”, outrora atribuído por Trump a Bolsonaro.
O legado eleitoral do bolsonarismo vai sendo diluído nos gabinetes e corredores do Congresso Nacional. Potenciais candidatos à sucessão em 2026 fazem cálculos e chegam à conclusão de que Lula tem um caminho pavimentado para a reeleição — muito difícil de ser batido. Melhor não arriscar uma reeleição ao governo de seu estado. Vai sobrar, para quem já não pode concorrer, a derrota para Lula no primeiro turno.
Um analista amigo meu costuma dizer que Bolsonaro, pelo bem do país, acertou na educação de seus filhos, tornando-os fracos de caráter e fortes no servilismo, tal como o pai. Se Eduardo não fosse o espelho de Jair, com certeza se sentaria na cadeira presidencial no máximo em 2030, e o bolsonarismo perduraria por pelo menos 20 anos. Bastava parecer normal.
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