Opinião

Caminho para baixar os juros é menos complicado do que parece

Governo Lula pode convocar Conselho Monetário Nacional, que coordena a política monetária, onde seus ministros tem maioria de 2 por 1

Simone Tebet e Fernando Haddad - 30.03.2023
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Num país onde até as crianças já compreenderam que uma taxa de juros de 13,75% ao ano é o melhor caminho para uma catástrofe sem antecedentes na História brasileira, é difícil explicar por que, cinco meses depois da posse, até agora a política econômica do governo Lula permanece submetida a orientação de Roberto Campos Neto, abertamente empenhada em destruir riquezas daquela que já foi a oitava economia do mundo. 

O componente irracional dessa situação fica mais evidente quando se reconhece a composição do Conselho Monetário Nacional, suas atribuições e seus deveres. 

O site do Ministério da Fazenda explica que “o  CMN é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a política da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico e social do país”. 

Em resumo: entre muitas outras coisas, é ali que se pode elevar ou reduzir a taxa de juros. Ali também se informa quem integra o  Conselho Monetário. Pela ordem: o Ministro da Fazenda, o ministro do Planejamento e, em terceiro lugar, o presidente do Banco Central.  

Para dar nome aos bois. Estamos falando de dois ministros do governo Lula – Fernando Haddad e Simone Tebet – em óbvia vantagem de 2 a 1 sobre um economista formado pelo neoliberalismo, comprometido até a medula num projeto de destruição nacional,  esvaziamento político e recolonização econômica.  

Acima de tudo, estamos falando do destino de um país que tem a maior economia do continente, cercado por vizinhos como Chile e Argentina que, na esteira  de pesados desastres econômicos, perderam o rumo político. 

A composição do Conselho Monetário Nacional, favorável a Lula, é uma chance para afastar um pesadelo persistente. 

Desde o golpe de 2016 os brasileiros enfrentam uma rotina programada de recessão, fome e desemprego. Não há muito tempo a perder, mostra o drama de nossos vizinhos. 

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