Opinião

Cidade linda ou cidade assassina?

“Mais de 200 câmeras como essa que matou Lucas estão espalhadas por São Paulo para o carnaval, expondo a população a alto risco. Sabe-se lá se estão bem instaladas ou poderão matar mais alguém. A ordem, nesse carnaval, é não encostar em poste. Cidade linda ou cidade assassina?”, questiona o jornalista Alex Solnik em seu…

Doria é visto no PMDB e em parte do DEM como um potencial candidato à Presidência em 2018
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Talvez acreditando na mentira do slogan “Cidade Linda”, inventado pelo prefeito João Dória para atrair turistas a São Paulo e eleitores para elegê-lo a alguma coisa que não seja a prefeitura, o estudante universitário Lucas Lacerda da Silva saiu sábado passado, de Santo André, onde estudava, para brincar o carnaval aqui, no Bloco do Baixo Augusta, que reuniu milhares de pessoas em torno da atração principal – a bela Alessandra Negrini. A grande atriz que ficou célebre com o comercial da “moderninha”.

A certa altura, a fim de recuperar o fôlego, suando dentro do seu abadá, ele fez o gesto mais prosaico do mundo, encostou-se, na esquina das ruas Consolação e Matias Ayres, num poste cinza, igual a milhares de outros, em que eu, você e milhares de pessoas um dia se encostaram.

A diferença é que dois dias antes a GWA Systems tinha instalado nele uma câmera de segurança por ordem da Dream Factory, contratada pela prefeitura para fazer a infraestrutura do carnaval de São Paulo com verba de 20 milhões fornecida por patrocinadores da indústria cervejeira.

Tinha instalado muito mal e porcamente, com fios expostos, uma armadilha fatal. Lucas levou um choque elétrico na hora e perdeu a vida aos 22 anos.

Todos ao redor ficaram perplexos. A polícia se recusou a atender. A ambulância chegou meia hora depois, mas não havia mais nada a fazer.

Dória mostrou, mais uma vez, que em um ano na prefeitura seu coração continua duro como as pedras da fachada de sua mansão na rua Itália, uma das maiores e mais bem protegidas da cidade por viaturas da Guarda Civil 24 horas por dia.

Ele poderia ter se compadecido, oferecido condolências e conforto material à família, assumido a culpa na hora, afinal quem organiza a festa de carnaval é a prefeitura e o prefeito é ele, e depois cobrar das empresas responsáveis, além de indenização, um valor à guisa de perdas e danos.

Mas não. Disse apenas, friamente como um robô, que “a instalação não estava autorizada e, portanto, não representava um instrumento da prefeitura”.

Não tem como ele tirar o corpo fora. Se a instalação não estava autorizada e assim mesmo foi feita, isso ocorreu por falta de fiscalização da prefeitura.

Mais de 200 câmeras como essa que matou Lucas estão espalhadas por São Paulo para o carnaval, expondo a população a alto risco. Sabe-se lá se estão bem instaladas ou poderão matar mais alguém.

A ordem, nesse carnaval, é não encostar em poste.

Cidade linda ou cidade assassina?

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