Os brasileiros já fizeram as maiores barbaridades com os negros.
Meninas de 7 anos eram postas à venda em classificados de jornais do século XIX com a maior naturalidade e ausência de escrúpulos.
E alguém as arrematava. E as revendia. Ou deixava de herança. Ou dava de garantia em empréstimo.
Seus proprietários podiam fazer dos escravos o que quisessem, pois dispunham de seus corpos em qualquer lugar e a qualquer momento.
Não se sabe quantos negros foram torturados ou assassinados por seus donos.
Nem quantas negras jovens ou idosas, belas ou feias foram estupradas.
Não há estatísticas.
A abolição não foi o caminho para o paraíso, mas o começo do inferno.
Em vez de passarem a ser remunerados, o que seria o justo, os escravos tomaram um pontapé na bunda. Se era para pagar os grandes proprietários de terras queriam trabalhadores europeus.
Ex-escravos não tiveram nenhuma proteção do governo.
Foram morar onde pudessem. Da forma que conseguissem. Comer o que descolassem. Vestir o que lhes dessem. Subir morros, criar favelas. Não tinham formação para disputar os melhores empregos. Passaram à marginalidade.
E depois de passarem por todas as violências, violações e humilhações, ontem e hoje, alvos preferidos da polícia, e sobreviverem e ainda alegrarem o país com o samba, com a capoeira, com a dança, com o futebol e darem ao Brasil gênios como Machado de Assis, Di Cavalcanti, Pixinguinha, Grande Otelo e Pelé ainda têm que ouvir da boca de um representante daqueles que ajudaram a enriquecer que buzinar na rua “é coisa de preto”.
Só podia ser coisa da elite branca.
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