Ora, ora, ora, os tucanos de raiz, que a cada eleição perdida repetem o mantra “precisamos ficar mais perto do povo”, devem estar tendo pesadelos com a possibilidade cada vez mais realista de que o candidato do partido a prefeito de São Paulo seja o novato João Doria Jr.
Para quem estava se queixando da falta de elos com a classe C, é um prato difícil de engolir. Por mais que o solerte candidato, que se torna conhecido como Bebê Johnson, manifeste sua intenção de visitar toda a periferia da cidade em busca de votos, nem o mais imbecil dos vira-latas da rua vai imaginar que haverá alguma identificação entre o Bebê Johnson e a turma da Zona Leste.
São coisas que não se misturam. Eles falam línguas diferentes, arrisco a dizer. Tudo indica que ele poderá obter nas urnas a mesma porcentagem e audiência de seu programa de TV, que não passa de 1 ponto, quando não dá traço.
O mais espantoso ainda é que Doria é mais um que vai usar o legado de Covas para se viabilizar, quando todo mundo sabe que ele foi apenas um executivo do governo e que vai se viabilizar (é o que se teme no partido) porque tem patrocinadores tanto para sua campanha como, quiçá, para a de Alckmin a presidente da República, o que é decisivo nesses tempos em que amigos ricos são bem vindos.
Com tais atributos, é difícil admitir que não vença as prévias no partido, mas a derrota nas eleições de verdade vai ser vexatória para o PSDB, que sempre tem disputado ao menos o segundo turno em São Paulo nos últimos 25 anos.
Mas não é apenas a falta de identificação com a maioria do eleitorado que joga contra Doria. É que não dá para entregar um orçamento de 50 bilhões de reais nas mãos de um aprendiz.
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