Jards Macalé está coberto de razão. Há alguns anos ele defende a inclusão da palavra “amor” na bandeira brasileira.
Não é viagem nem maluquice do genial compositor, violonista e cantor. A frase de Augusto Compte que foi inscrita na bandeira brasileira na íntegra é “amor por princípio, ordem por base, progresso por fim”.
Mas Deodoro cortou o amor.
Esse “amor” dizia respeito ao povo brasileiro, que ele não amava.
E a recíproca era verdadeira: dois anos depois da proclamação de um golpe militar – que foi batizado de Proclamação da República – ele foi derrubado por uma revolta dos marinheiros apoiada pela população que repudiava a sua tirania.
Ninguém jamais viu Deodoro sorrindo.
Não há um retrato seu que não mostre um rosto duro, sério e antipático.
Temer emprestou de Deodoro o lema de seu governo: “ordem e progresso”.
Também sem amor.
Depois de um golpe civil e parlamentar.
Até mesmo os ditadores brasileiros se preocuparam em agradar ao povo, em sorrir.
Getúlio mandava queimar livros e exilar adversários políticos, mandava torturar, mas ao menos fingia dar atenção ao povo, promovia audiências públicas, estimulava envio de cartas com pedidos, desfilava em carro aberto, acenava.
E sempre se mostrou simpático em público.
Médici, o mais sanguinário dos generais presidentes da última ditadura do século XX posava com radinho de pilha para se identificar com torcedores de futebol.
Temer foi o primeiro a demonstrar desprezo pelo povo brasileiro.
Baixou salários, eliminou direitos, entregou patrimônio público, exterminou o futuro.
E o povo respondeu à altura.
Nunca um presidente brasileiro foi tão desprezado.
Um presidente que despreza o povo e um povo que despreza o presidente não levam nação alguma à prosperidade.
É impossível viver sem amor, disse o diplomata bêbado de “À sombra do vulcão”.
É impossível governar sem amor, digo eu.
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