Opinião

É impossível governar sem amor

O colunista do 247 Alex Solnik defende a inclusão da palavra amor na bandeira nacional e lembra que a frase do pensador positivista Augusto Comte na íntegra é “amor por princípio, ordem por base, progresso por fim”; “Mas Deodoro cortou o amor”, diz Solnik; “Temer emprestou de Deodoro o lema de seu governo: ‘ordem e…

O colunista do 247 Alex Solnik defende a inclusão da palavra amor na bandeira nacional e lembra que a frase do pensador positivista Augusto Comte na íntegra é "amor por princípio, ordem por base, progresso por fim"; "Mas Deodoro cortou o amor", diz Solnik; "Temer emprestou de Deodoro o lema de seu governo: 'ordem e progresso'. Também sem amor",lembra; "Temer foi o primeiro a demonstrar desprezo pelo povo brasileiro. Baixou salários, eliminou direitos, entregou patrimônio público, exterminou o futuro. E o povo respondeu à altura. Nunca um presidente brasileiro foi tão desprezado. Um presidente que despreza o povo e um povo que despreza o presidente não levam nação alguma à prosperidade"
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   Jards Macalé está coberto de razão. Há alguns anos ele defende a inclusão da palavra “amor” na bandeira brasileira.

   Não é viagem nem maluquice do genial compositor, violonista e cantor. A frase de Augusto Compte que foi inscrita na bandeira brasileira na íntegra é “amor por princípio, ordem por base, progresso por fim”.

   Mas Deodoro cortou o amor.

   Esse “amor” dizia respeito ao povo brasileiro, que ele não amava.

   E a recíproca era verdadeira: dois anos depois da proclamação de um golpe militar – que foi batizado de Proclamação da República – ele foi derrubado por uma revolta dos marinheiros apoiada pela população que repudiava a sua tirania.

   Ninguém jamais viu Deodoro sorrindo.

   Não há um retrato seu que não mostre um rosto duro, sério e antipático.

   Temer emprestou de Deodoro o lema de seu governo: “ordem e progresso”.

   Também sem amor.

   Depois de um golpe civil e parlamentar.

   Até mesmo os ditadores brasileiros se preocuparam em agradar ao povo, em sorrir.

   Getúlio mandava queimar livros e exilar adversários políticos, mandava torturar, mas ao menos fingia dar atenção ao povo, promovia audiências públicas, estimulava envio de cartas com pedidos, desfilava em carro aberto, acenava.

   E sempre se mostrou simpático em público.

   Médici, o mais sanguinário dos generais presidentes da última ditadura do século XX posava com radinho de pilha para se identificar com torcedores de futebol.

  Temer foi o primeiro a demonstrar desprezo pelo povo brasileiro.

   Baixou salários, eliminou direitos, entregou patrimônio público, exterminou o futuro.

   E o povo respondeu à altura.

   Nunca um presidente brasileiro foi tão desprezado.

   Um presidente que despreza o povo e um povo que despreza o presidente não levam nação alguma à prosperidade.

   É impossível viver sem amor, disse o diplomata bêbado de “À sombra do vulcão”.

   É impossível governar sem amor, digo eu.

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Cortes 247

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