É óbvio que eu gostaria de ver Lula ganhar a eleição no primeiro turno – e sua campanha deve mirar nesse objetivo – mas para isso acontecer não basta obter, a 2 de outubro, o resultado do Datafolha de ontem, 47% a 29% favorável a ele. O que equivale a 52% dos votos válidos.
Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, ele pode ter 50% ou 54%.
É um ótimo resultado, mas não garante a eleição. Urna não tem margem de erro.
Lula precisa, portanto, ganhar intenções de voto. E só pode ganhá-las tirando dos adversários. Pode ganhar um pouquinho de candidatos nanicos, como Janones, mas para se sagrar vitorioso no primeiro turno, tem que tirar de Bolsonaro ou de Ciro.
Tirar de Bolsonaro é muito difícil, senão impossível. Seus eleitores são diametralmente opostos e não dão sinais de abandoná-lo por mais insanidades que ele pratique.
Resta o eleitorado de Ciro. Só que são eleitores convictos, teimosos e resilientes como ele.
Há mais ou menos seis meses o Datafolha apresenta números parecidos aos de ontem.
Em dezembro de 2021 Lula tinha um pouco mais, 48%, depois caiu um pouco, para 42%, mas logo se recuperou. Bolsonaro sempre pontuou em torno dos 30%.
Ou seja: ambos bateram no teto.
Óbvio que o teto de Lula é bem mais alto.
A campanha na TV não começou. Haverá ataques de lado a lado. Debates. Fake news. Só que tanto Lula quanto Bolsonaro são atacados faz tempo e não perdem nada com isso.
Bolsonaro não ganha nem no primeiro turno, nem no segundo.
Lula pode não ganhar no primeiro, mas ganha no segundo.
Vou entrar no bolão que Leonardo Attuch propôs esta manhã no “Bom Dia 247”.
Para mim, o resultado do primeiro turno estará próximo ao do Datafolha de ontem: 47% a 29%.
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