Se os padrões da Lava Jato não mudaram, muito em breve virão à tona os “pontos quentes” do acordo preliminar para a delação premiada de Alexandre Margotto, ex-sócio de Lúcio Bolonha Funaro, tido pela Procuradoria Geral da República como o grande operador do deputado Eduardo Cunha. Funaro ainda resiste a fazer acordo semelhante mas seu ex-sócio, segundo o blog de Fausto Macedo, de O Estado de São Paulo, está em avançadas negociações com a PGR. Margotto teria gravações de conversas de Funaro com políticos que frequentavam o escritório que eles dividiram por algum tempo em São Paulo. Entre eles, o ministro Geddel Vieira Lima, secretário de Governo de Temer.
Margotto era também sócio de Fabio Cleto, o vice-presidente de Fundos e Loterias da CEF, indicado por Cunha e encarregado de mediar a cobrança de propina de empresários que buscavam a aprovação de projetos com investimentos de recursos do FGTS. Margotto, acusado de 12 crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, durante um tempo ficou com 4% destas propinas. Depois ele se desentendeu com Funaro, que o gravou tentando arrancar-lhe “cem paus” para não denunciá-lo. Na gravação, feita por uma terceira pessoa, Margotto afirma que Funaro comprou um juiz arrumado por ele.
Geddel, que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da CEF, confirmou os encontros ao blog de Macedo mas negou qualquer negócio ilícito com Funaro. “Era apenas um conhecido”. Mas não só o poderoso ministro de Temer deve estar nervoso com a prometida delação. Tem mais gente importante esperando Margotto.
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