Na visita que fez a Lula no Hospital Sírio-Libanês, ainda antes da morte de dona Marisa Letícia, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso antecipou-lhe que iria depor como testemunha de defesa no inquérito sobre o acervo presidencial de Lula. O investigado neste inquérito é Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e responsável pelas medidas de transporte e conservação do acervo, que foram custeadas pela OAS como doação ao Instituto. A data não estava marcada mas Lula agradeceu a decisão. FHC poderia ter se recusado a depor. O ex-presidente José Sarney, também arrolado como testemunha de defesa de Lula, até ontem não fora encontrado para ser notificado.
Os esclarecimentos que FHC prestará são sobre a natureza, a importância e as medidas da Presidência para distinguir o acervo pessoal do acervo público, bem como sobre como ele procede para também conservar seu próprio acervo, no instituto que leva seu nome.
Há alguns meses, Fernando Henrique deu uma declaração dura, dizendo que aguardaria os desdobramentos das investigações para reiterar ou não seu respeito a Lula. O fato de ter aceitado depor, mais do que a visita numa hora de dor, podem ser indicadores de que ele mudou sua avaliação sobre as acusações que pesam contra o sucessor. Na conversa que tiveram no hospital, FHC ouviu o desabafo de Lula sobre as acusações não provadas de que seja dono de um apartamento da OAS e do sítio de Atibaia, adquirido por Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Conversaram também, trocando reminiscências, sobre as dificuldades de um presidente no relacionamento com o Congresso Nacional. Algumas orelhas podem ter ardido naquela noite.
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