A seleção francesa jogou melhor que os belgas quase todo o jogo. Um timaço.
Vitória justa na primeira semifinal de uma seleção que é um bonito símbolo de um mundo multicultural, multipolar, multiétnico. O tima francês é uma verdadeira -e bela- colcha de retalhos:
Dois jogadores são nascidos em outros países: Mandanda (RD Congo) e Umtiti (Camarões), este que fez hoje um belo gol de cabeça;
Dois são nascidos em territórios que pertencem à França, mas possuem seleções próprias: Varane (Martinica) e Lemar (Guadalupe);
Onze têm pais nascidos em outros países e que migraram para a França: Areola (Filipinas), Rami (Marrocos), Kimpembé e Nzonzi (RD Congo), Sidibé, Dembelé e Kanté (Mali), Matuidi (Angola), Pogba (Guiné), Mbappé (Camarões e Argélia) e Fekir (Argélia);
Quatro têm avós e antepassados em outros países: Lucas Hernández (Espanha), Mendy (Senegal), Tolisso (Togo) e Griezmann (Portugal).
Portanto, dos 23 jogadores, apenas quatro são franceses de origem francesa, o que reforça ainda mais este sentido multi.
Sim, há um poço de contradições na seleção e na relação deste time com segmentos amplíssimos no país que são abertamente racistas.
Mas, numa Europa e na porção do mundo que, sob o mando de Trump, hostiliza e agride os refugiados e chega a manter crianças enjauladas, o time francês é uma bonita afirmação de que acolher e celebrar a vida caleidoscópica é possível.
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