Opinião

Furacão Milei

“Pela primeira vez vejo um presidente de um país prometer não ajudar as vítimas de um desastre natural”, escreve Alex Solnik

Presidente da Argentina, Javier Milei
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De sábado para domingo, um furacão com ventos de mais de 100 km/hora assolou o estado de Buenos Aires. 

Na capital, além de derrubar centenas de árvores sobre ruas, postes e automóveis, a ventania arrastou aviões de 41 toneladas estacionados no Aeroparque como se fossem de brinquedo. 

O epicentro foi a cidade de Bahia Blanca. Além da destruição semelhante à da capital, perderam-se vidas. A cobertura de um ginásio dentro de um clube desabou sobre centenas de pessoas que assistiam a uma apresentação de crianças em patins. Contam-se mortos e dezenas de feridos. A cidade está de luto. A maior parte das casas sem luz. 

Chega o presidente Milei. Metido num uniforme militar de camuflagem, como se estivesse em guerra, não demonstra consternação com a tragédia. 

Elogia a resiliência dos argentinos e avisa que a cidade e os cidadãos terão de se virar “com os recursos disponíveis”, ou seja, o governo não irá ajudá-los. “No hay plata”.

Pela primeira vez vejo um presidente de um país prometer não ajudar as vítimas de um desastre natural. A imprensa já o chama de “insensível”.

E os argentinos já se perguntam o que é pior? Um furacão ou um presidente como Milei?   

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