Opinião

Gilmar escolhe dia decisivo para visitar Bolsonaro

“Vamos confiar que Gilmar, de fato, reviu posição e quer ver esse país e o Judiciário passados a limpo. Vamos acreditar que Gilmar Mendes errou de data para a sua agenda, mas não vai nos decepcionar”, avalia a jornalista Denise Assis, sobre o encontro entre o ministro do STF Gilmar Mendes com Jair Bolsonaro

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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

Que diabos teriam movido o ministro do Supremo Tribunal Federal a fazer uma visita de cortesia a Bolsonaro, na véspera de um julgamento decisivo para a suprema Corte e para o país?

Vamos lembrar que nos seus últimos pronunciamentos públicos, Gilmar colocou o dedo na ferida. Falou do papel absolutamente parcial do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, denunciou o “lavajatismo” da mídia e o seu desempenho fomentador do “ódio” e da divisão do país, principalmente no período áureo da tal malfadada operação Lava-Jato. Não se furtou a tecer críticas ao presidente e a seu governo, com seu autoritarismo e o espaço que dá ao principado de seus filhos, possibilitando pitacos perigosos para o ambiente político.

Levando em conta as suas última atitudes, convém supor que o ministro – que amanhã terá de se pronunciar sobre o destino de um ex-presidente da República -, tenha ido tentar conter eventuais pronunciamentos destrambelhados de Jair, dando corda a algum movimento como o que já foi sugerido, hoje, por aquele senhor tresloucado que não mora no Brasil. O guru dos EUA (a matriz) segue manipulando os cordões das suas marionetes, dos seus teleguiados. Hoje o teórico tropical da ultradireita pregou a volta do AI-5, numa atitude irresponsável e perigosa.  

A data, escolhida para a sua “visita de cortesia”, porém, que me desculpe o ministro, foi infeliz. Amanhã, (força de expressão, porque esse julgamento vai ser longo), findo o julgamento da suprema Corte, Gilmar pode ser acusado de ter ido combinar algo que pudesse ter influído em seu voto.  

Volto a dizer: a julgar por suas últimas atitudes, convém apostar que Gilmar está certo de que o papel da Vaza-Jato foi fundamental para clarear a sua convicção de que errou ao não tentar conter o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, de que se deixou levar pelo clima e as informações da mídia comprometida com a queda do governo petista. Pelo até aqui exposto, o seu voto é pela manutenção do respeito à Constituição.

Vamos confiar que Gilmar, de fato, reviu posição e quer ver esse país e o Judiciário passados a limpo. Vamos acreditar que Gilmar Mendes errou de data para a sua agenda, mas não vai nos decepcionar.  

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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