Ao dizer que a operação que matou 119 “suspeitos” foi um sucesso, o governador Cláudio Castro cometeu um sincericídio. Confessou que a intenção da operação era mesmo matar. Executar. Atirar primeiro, interrogar depois. Tal como faziam os esquadrões da morte no tempo da ditadura, sendo os mais notórios o de São Paulo e o do Rio.
Se a intenção era apavorar outros bandidos – se continuarem no crime vão para o cemitério – o efeito é nulo. Todos os bandidos sabem o risco que correm todos os dias. Para eles, é melhor correr esse risco do que não ter o que comer. Eles não têm outra perspectiva de fonte de renda senão essa. Morrer faz parte da rotina.
O governador matou a ralé do Comando Vermelho. Matou os pés de chinelo que entregam as mercadorias aos consumidores. Isso não afeta em nada a quadrilha. Amanhã haverá outros cem no lugar deles.
O Esquadrão da Morte de São Paulo, comandado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury e integrado por seus homens de confiança, como Fininho, foi criado sob as bênçãos do governador Abreu Sodré, em 1968, e foi desmantelado pelo promotor de Justiça Hélio Bicudo, em plena ditadura.
Se nem na ditadura se admitia execuções a esmo, em massa, clandestinas, ao arrepio da lei, mesmo de bandidos, na democracia essa política sanguinária tem que ser repudiada e o governador impedido de continuar no cargo.
Além de não proteger a população, que é o primeiro dever do estado, ele colocou a população em risco. Toda a população, inclusive os turistas.
É inaceitável que se lhe dê outra oportunidade de matar novos “suspeitos”.
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