As vésperas de uma greve geral que já assume o perfil de uma paralisação histórica, convém recordar que nessas horas costumam aparecer lobos vestidos em pele de cordeiro.
Com a única finalidade de desmobilizar os trabalhadores e diminuir a força de uma paralisação que pode enterrar de um projeto que é um golpe de misericórdia em toda esperança de amparo à velhice dos brasileiros, espertalhões da equipe econômica e dos partidos aliados de Bolsonaro ensaiam recuos e acenam com concessões.
Para esconder o verdadeiro objetivo da reforma, que é obrigar os assalariados a gastar mais e trabalhar mais para receber menos, agora falam em fazer um desconto na proposta original e amenizar os cortes que pretendem aplicar nos aposentados.
Numa típica demagogia improvisada, de quem faz ofertas que podem ser retiradas a qualquer momento — DEPOIS da paralisação — ainda ensaiam um novo canto de sereia. Falam em acabar com a capitalização individual, que até ontem era a espinha dorsal de uma proposta orientada para esvaziar a previdência pública e agradar às instituições financeiras, às quais as novas gerações seriam obrigadas a entregar as economias que pudessem guardar para enfrentar a velhice.
Só não se diz o que se pretende fazer com os empresários aos quais se prometeu eliminar a contribuição do setor privado à Previdência, equivalente a 20% da folha de pagamento.
A verdade é que, com ou sem ajustes dessa natureza, a proposta de reforma da Previdência de Paulo Guedes-Rodrigo Maia continua errada, ruim e inaceitável e deve ser retirada, como ocorreu em 2017. Não por acaso, Gleisi Hoffmann tuitou que “o PT continua firme contra a proposta de reforma da Previdência. Não fazemos acordo contra os interesses dos aposentados e dos trabalhadores. Seguimos lutando no Congresso e nas ruas”.
Isso acontece porque a proposta em curso não irá enfrentar os privilégios de militares e altos burocratas do Estado. Nem se propõe a taxar devidamente os 10% mais ricos do país, aqueles que embolsam 41,% da renda nacional e seguirão sem dar sua retribuição a uma sociedade de onde retiram uma riqueza imensa e desigual.
O plano consiste em enfraquecer nosso embrião de estado de bem-estar social, conquista já ameaçada pela informalização crescente do mercado de trabalho.
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