Malu Gaspar e Lauro Jardim usaram informações oriundas de dados sigilosos extraídos ilegalmente pelo perito da PF João Nabas para noticiar contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o banco Master e informações ligadas ao resort Tayayá e ao mesmo banco.
Lauro Jardim foi o primeiro jornalista do país a revelar (7 de dezembro de 2025) que o contrato foi apreendido na operação. Malu Gaspar detalhou o valor (R$ 3,6 milhões mensais, totalizando R$ 129 milhões em três anos) dois dias depois (9 de dezembro de 2025).
Os dois jornalistas trataram os ministros do Supremo como envolvidos em situação suspeita de conflito de interesses ou influência indevida mesmo inexistindo um único ato deles em favor de Vorcaro.
Agora, o mesmo perito Nabas é investigado por criar arquivos (“Moraes.pdf”, “Toffoli e esposa.pdf”) a partir do celular de Vorcaro, sugerir vazamento à imprensa e produzir relatórios ilegais. Ele foi alvo de busca, apreensão e afastado das suas funções na PF.
Apesar disso, ninguém cogita:
• Apreender celulares ou computadores de Malu Gaspar e Lauro Jardim;
• Investigá-los por “recebimento de dados roubados”;
• Fazer buscas em suas redações ou questionar se “corromperam” o perito para obter as informações.
O sigilo da fonte jornalística é invocado como proteção absoluta. Quando os alvos são ministros do STF, os mesmos jornalistas publicam fatos sigilosos, levantam suspeitas públicas e geram pressão política — sem qualquer receio de contramedida semelhante.
Quando o foco poderia recair sobre eles próprios, o tratamento é diferente. Isso expõe o duplo padrão: para Moraes e Toffoli, os dados vazados viram “munição jornalística legítima”. Para Malu e Lauro, até a mera suspeita de envolvimento com o perito corrupto é intocável.
Na prática, alguns jornalistas têm mais direitos e proteções que os próprios ministros do Supremo. O direito ao sigilo da fonte existe até o ponto que o jornalista que o usa aparece em um esquema criminoso, pois o perito pode ter vendido os dados.
Ficar tudo por isso mesmo é uma afronta à sociedade. Não existe direito inquestionável. Outros jornalistas de veículos menos poderosos que a Globo (este que vos escreve, por exemplo) não tiveram tais direitos ao usar dados obtidos na Receita. Fui preso.
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