A imagem acima registra o momento em que a presidência da República sacramenta o maior calote de todos os tempos na sociedade brasileira. Se esse calote vier a ser confirmado pelo Congresso Nacional, também presente na imagem, as regras que antes valiam para os trabalhadores que um dia pretendem se aposentar – todos eles – não valerão mais.
O nome deste calote é “reforma da Previdência”. Segunda a propaganda oficial, com a reforma apresentada por Paulo Guedes, o setor público economizará R$ 1,1 trilhão em dez anos e a economia será destravada, com mais recursos para obras em infraestrutura. Para que essa maravilha ocorra, cada deputado do centrão cobrará um pedágio de R$ 10 milhões, mas, paciência, esse é o preço que se paga para salvar o Brasil.
Antes, fosse assim. Na realidade, poucos argumentos de Guedes e de sua equipe ficam de pé. Num país que acaba de aprovar uma reforma trabalhista que empurra os trabalhadores para a informalidade, é possível e até provável que o rombo da Previdência aumente, uma vez que haverá menos contribuintes para sustentar os aposentados e pensionistas atuais. Com a reforma que quebra as regras atuais e reduz benefícios futuros, o incentivo para contribuir será ainda menor para as gerações mais jovens.
Diante dessa percepção, o que fazer? A lógica agora não é mais a da solidariedade entre as gerações, mas sim a do “cada um por si”. Se este é o espírito da coisa, os mais prudentes farão seus planos de previdência privada em bancos e seguradoras. Alguns terão esperança de serem sustentados pelos filhos no futuro. E os mais inconsequentes serão os idosos empobrecidos do futuro, que poderão contar com uma esmola de R$ 400 do estado – um salário mínimo, só a partir dos 70 anos, quando muitos já estarão mortos.
O efeito prático na economia será a redução do consumo e a contração dos níveis de atividade. Nos últimos anos, toda a destruição promovida no Brasil para criar as condições para o golpe de 2016 teve como consequência a elevação brutal do desemprego e a redução da massa salarial. Ou seja: as pessoas têm menos dinheiro para consumir. Ainda assim, mesmo mais pobres, terão que poupar mais para não se tornarem miseráveis lá na frente.
O que resta, neste cenário de extermínio do futuro, é o minimalismo. Consumir apenas o essencial, cortar gastos supérfluos e tentar poupar para não cair na miséria extrema dentro de alguns anos – uma vez que a aposentadoria pública praticamente acabou. Não há mais estado de bem-estar social no Brasil. Agora, é selva.
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