Por Alex Solnik
Não tem o menor cabimento o pedido – ou, melhor, decisão – do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, de entrar na comissão da Transparência do TSE no lugar do general Portella.
O que se depreende desse lance é que, estando um escalão acima do de Portella, o general teria maior autoridade para exigir a efetivação das mudanças sugeridas pelos militares no processo eleitoral.
O problema é que ele é ministro, faz parte do governo Bolsonaro e Bolsonaro é um dos candidatos nas eleições de 2 de outubro.
O conflito de interesses é indiscutível, inaceitável e impraticável.
Se um dos concorrentes tiver assento na comissão do TSE, por meio de um de seus aliados, todos os outros poderão reivindicar o mesmo.
Caso contrário, haveria favorecimento a um dos candidatos.
E outra: em que democracia já se viu um preposto do candidato ditar regras numa eleição na qual este concorre?
Isso é típico de eleições com cartas marcadas.
Ou de democracias de araque.
O ministério da Defesa está virando ministério do Ataque.
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